Palavras do Gesto – Maio 2020


Ultimamente as palavras que mais ouvimos são: Pandemia, Coronavírus, Covid-19, Isolamento, Isolamento Vertical, Isolamento Horizontal, ‘lockdown’, Vacina, Novo Normal, Destruição Criativa, e-commerce, Zoom, Live, Ministro da Saúde, STF, Congresso, Bolsonaro, tudo isto nos faz pensar para onde os mercados irão num futuro próximo. Depois do mercado de ações atingir o mínimo de 63.569 pts em 23/03, ele apresentou uma correção rápida e fechou maio com mais uma alta de 8.58% aos 87.410 pts., no ano, a perda ainda é elevada, -24,42%. Muitas ações apresentaram altas expressivas como as do setor de carne por conta do dólar e as varejistas, por conta do e-commerce, como Magazine Luiza e Via Varejo. Outras terão uma correção um pouco mais lenta e dependendo do setor, poderão não acompanhar o Ibovespa no curto prazo, porém a médio e longo deverão corrigir esta distorção.

Os investidores estrangeiros continuaram vendendo ações no último mês, embora o fluxo reverteu nos últimos dias de maio. No acumulado do mês, a saída foi de R$ 7,44 bilhões e no ano R4 76,85 bilhões.

O dólar comercial, fechou o mês a R$ 5,34 com uma queda de 1,79% e acumulando uma valorização de 33,08% em 2020. Depois de atingir máxima histórica de R$ 5,90 no fechamento em 23/5, ele recuou e mudou a tendência. O BC deixou bem claro que teria munição, caso ele rompesse os R$ 6.00, fato que não ocorreu.

A inflação no mês de maio, pelo IGPM, apresentou uma variação positiva de 0,28%, acumulando 2,79% em 2020, já o IPCA de abril apresentou uma deflação de 0,31% maior que imaginávamos e a mais baixa em 21 anos, a de maio deverá apresentar outra deflação próxima a 0,45%, o que levaria a uma deflação acumulada no ano de 0,23% e possivelmente terminando o ano abaixo da meta de 2,50%, por conta da baixa demanda, gerada pela pandemia.

Na próxima reunião do COPOM nos dias 16 e 17 de junho, o BC deverá cortar mais 0,75%, reduzindo os juros para 2,25% a.a., desta maneira teremos os juros nominais mais baixo da história e os juros reais bem próximo a zero. Apesar do déficit público ter subido muito por conta da pandemia, o serviço da dívida com os juros nunca esteve tão baixo, o que poderá ajudar numa retomada de crescimento, nos próximos anos.

O último boletim BC/FOCUS, apresentou algumas mudanças de projeção para o ano, o PIB passou para uma queda  -6,25% e um crescimento de 3,5% para 2021; o IPCA 1,55% e para 2021 3,10%; Selic 2,25% e para 2021 3,38% e Dólar R$ 5,40 para este ano e R$ 5,08, gostaríamos de deixar claro que estas são as previsões da média do mercado, um pouco diferente das nossas. Acreditamos numa queda do PIB de 6,5% este ano, IPCA 2% a.a., Selic 2,25%, Dólar R$ 4,90 e Ibovespa 100.000 para o final do ano.

Quanto aos mercados americanos, principalmente a NASDAQ aonde encontramos as ações do setor de tecnologia, houve uma grande recuperação, impulsionada pela reabertura da economia e a expectativa da descoberta de uma vacina, num horizonte de curto/médio prazo. Mesmo com os ruídos de novas desavenças entre TRUMP e a China por conta de ‘Trade War’, os mercados não se deixaram abalar.

Acreditamos que os mercados aqui no Brasil continuarão recuperando as perdas de março, porem num ritmo mais comedido. O Ibovespa deverá acumular nesta faixa de preço, ou seja, o índice deverá ficar entre 85.000 a 100.000 nestes próximos meses. Continuamos otimistas para o mercado a médio e longo prazos.

Informações das Empresas

Caged: Segundo dados divulgados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, no mês de abril, o número de postos de trabalho perdeu 860,5 mil, sendo o pior mês divulgado na história.

Distribuição de Energia: O setor negocia ajuda financeira junto ao sindicato de bancos para as empresas do setor, cujo valor estimado é de R$ 15,5 bilhões. Até o momento, a Aneel não publicou a resolução definitiva para essa ajuda. O sindicato de bancos são: Banco do Brasil, BNDES, Bradesco, ItauUnibanco e Santander.

Iguatemi: No total de 16 shoppings, a empresa reabriu 5 deles. Nos primeiros dias, o fluxo de visitantes oscilou entre 40% e 50%. Segundo dados da companhia, em algumas operações, a queda de venda pode ser menor que a queda de fluxo. 

IRB Resseguros: A assembleia marcada para o dia 12/06, tem o intuito de aprovar a ex-ministra do STF, Ellen Gracie, para o conselho de Administração, bem como, promover uma ampla reforma de seu estatuto, melhorando desta forma, a governança da companhia. Segundo dados da Susep, nos meses de janeiro e fevereiro, a IRB acumulou prejuízo de R$ 110,6 milhões. Estes números comparados com 2019, sofreram uma deterioração no resultado de retrocessão. Janeiro ficou negativo em R$ 74 milhões e em fevereiro de R$ 265 milhões. Houve, ainda o impacto da desvalorização cambial nas suas operações internacionais, de cerca de R$ 300 milhões. Esse descasamento levou a Susep para uma fiscalização, que até o momento não se manifestou. O resultado do 1º trimestre será divulgado no dia 18/06/20.

LATAM: Maior transportadora aérea da América Latina, pediu recuperação judicial em Nova York. O pedido contempla dívida de US$ 17,96 bilhões que contemplam as operações de no Chile, Peru, Equador, Colômbia e Estados Unidos. As operações da Argentina, Brasil e Paraguai ficaram fora deste processo. Além disso, inclui um compromisso de suporte financeiro dos acionistas das famílias Cueto e Amaro e a Quatar Airways, no total de US$ 900 milhões. No Brasil, a empresa aguarda o financiamento de R$ 2 bilhões do BNDES, antes de pedir a recuperação judicial.

Petrobras: A empresa captou US$ 3,25 bilhões, ante demanda de US$ 16 bilhões. Essa captação tem o intuito de reforçar o caixa. A captação foi feita em duas séries: 1) US$ 1,5 bilhão com remuneração de 5,60% com vencimento de 10 anos. 2) US$ 1,75 bilhão com remuneração de 6,90% para prazo de 30 anos. 

Petróleo WTI – Histórico do peço do petróleo dos últimos meses.

Suzano: Resultado do 1º trimestre/2020 resultou em um prejuízo de R$ 13,4 bilhões. Esse resultado foi ocasionado pela marcação a mercado da dívida e do hedge do fluxo de caixa. Com a valorização do dólar, as suas ações subiram rapidamente, entretanto, com a divulgação do resultado, as ações caíram, após atingir o pico de quase R$ 51/ação.

Via Varejo: Está em processo para captar próximo de R$ 3,3 bilhões com emissão de 220 milhões de novas ações. Esses recursos serão utilizados para investimentos em tecnologia e logística, inovação e desenvolvimento e otimização da estrutura de capital.

Observação: Os resultados divulgados do 1T20 contemplam somente 15 dias de março com as notícias do covid-19, bem como o início do isolamento. Os resultados do 2T20 serão muito mais afetados, pois com o isolamento, grande parte das companhias ficaram paradas, com exceção daquelas que possuem e-commerce, Market Place, B2B. Além disso, as empresas de alimentos também continuaram abastecendo as redes de supermercados, entretanto, houve redução de volumes e preços no mercado interno e externo.

 

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