Palavras do Gestor


O cenário de pessimismo continuou no mês de junho, tanto no mercado externo quanto no mercado interno. O Índice Bovespa encerrou a 72.763 pontos com queda de 5,20% no mês de junho, entretanto, encerrando no acumulado até junho/2018 perda de 4,76%. O dólar fechou a R$ 3,85, mesmo após os leilões realizados pelo Banco Central, com valorização de 16% no 2º trimestre e de 16,56% no 1º semestre. No 2º trimestre, os resultados da maioria das companhias estarão extremamente prejudicados com a valorização do dólar, já que a maioria das empresas possuem elevada dívida. Por vários fatores, a bolsa brasileira caiu drasticamente em poucos meses, fato que não víamos desde a época do Subprime americano em 2007/2008.

No mês de junho, os investidores estrangeiros voltaram a pressionar a bolsa com saída de aproximadamente R$ 6,5 bilhões e acumulando no ano, saldo negativo de R$ 10,6 bilhões. Os fatores que ajudaram para essa forte saída foram a greve dos caminhoneiros e a nova política do Banco Central americano, cujos treasuries voltaram para as vitrines dos investidores.

No mercado interno, o Banco Central manteve a taxa básica de juros em 6,5%, ficando dentro do consenso do mercado. O discurso do BC ficou claro que a taxa de juros não será ferramenta para controlar o dólar, salvo se a inflação ficar fora da meta. Com a forte alta do dólar, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciou novos leilões de swap cambial de US$ 20 bilhões e mais intervenções caso necessário. A greve dos caminhoneiros continua trazendo sinais negativos na economia nos meses seguintes. Os indicadores de inflação pontualmente estarão pressionados como indica o IPC-S divulgado pela FGV, de 1,19% em junho, sendo que a maior pressão veio de Alimentos (1,59%) e transportes (1,50%). Outro indicador importante, o índice do consumidor caiu 4,8% em relação a maio, sendo a maior queda desde janeiro de 2015 (a queda dos consumidores paulistanos foi de 8,4%). Tudo indica que esse indicador continue baixo, já que existem as incertezas quanto às eleições e a não melhora do nível de emprego. Assim, o Banco Central revisou o PIB para 1,60% em 2018. Ainda, as eleições continuam com uma grande indefinição. Acreditamos que as últimas pesquisas divulgadas ainda não refletem a real situação, esse cenário pode mudar após o mês de agosto, onde existirá uma definição maior dos futuros candidatos, e quem sabe a melhora do candidato Geraldo Alckmin. Fim de junho e a 1ª quinzena de julho com a Copa do Mundo e o recesso em Brasília, o Congresso está parado.

No mercado internacional tivemos vários acontecimentos: A reunião do FED, aumentou a taxa básica em 0,25%, sendo o 2º aumento, no total de 4 em 2018. Após o aumento da taxa, o presidente do FED sinalizou mais 3 novos aumentos para 2019. No campo político, tivemos um importante encontro histórico de Donald Trump com o líder norte coreano Kim Jong-in. Encontro muito esperado, onde pode existir um novo capítulo favorável na história entre esses países. O encontro foi melhor que o esperado pelo mundo, onde as partes abriram uma janela de conversação, onde houve um acordo de desnuclearização, ainda, sem data prévia definida. Além disso, vale mencionar novamente, a guerra comercial trazendo estresse aos vários mercados. Presidente Trump continua com sua política protecionista, impondo tarifas à China, que por sua vez, também impõe sobretaxa ao petróleo dos EUA. Essas medidas afetam diretamente os países europeus, em específico a França e a Alemanha, que direciona suas exportações à China. Na Alemanha foi revisado o PIB de 2,60% para 1,8% em 2018 e de 2,10% para 1,8% em 2019. Os demais países também deverão passar pela mesma revisão. Por fim, o Banco Central Europeu anunciou o fim do programa de compra mensal de títulos, apesar da desaceleração da economia europeia. As compras foram reduzidas de 30 bilhões de euros mensais para 15 bilhões de euros de setembro a dezembro/2018. Em 2019, não haverá mais compra de títulos.

Aqui no Brasil, os resultados do 2T18 começam a ser divulgados a partir de julho. Vale ressaltar que grande parte das empresas terão seus resultados prejudicados por conta da valorização do dólar sobre a dívida total. Apesar de contábil, os resultados estarão no campo negativo em várias empresas endividadas. Com relação ao dólar, acreditamos que o Banco Central deverá gastar mais munição para tentar acalmar o mercado, pois no primeiro dia de julho, a ausência do leilão do BC fez o dólar atingir R$ 3,90, alta de 1,29% em um único dia. Fator de preocupação.

Na Petrobras, a Câmara aprovou o projeto de lei que dá direito à venda de até 70% das áreas da cessão onerosa na Bacia de Campo. Este leilão possibilitará a Petrobras arrecadar aproximadamente US$ 28 bilhões pelo direito de explorar 5 bilhões de barris, acordo realizado em 2010. O leilão estava previsto para 29 de novembro de 2018, entretanto, novos critérios foram aprovados em 25 de junho para o acompanhamento das desestatizações no Tribunal de Contas da União, ou seja, o envio dos documentos devem ser entregues 6 meses antes do leilão, assim, não existe mais tempo hábil para 2018. O leilão ficou para 2019.

Na BRFoods – Sob nova Gestão – o atual presidente da companhia, Pedro Parente, realizou conferência após reunião do Conselho de Administração da companhia em 29/06/18. Anunciou reestruturação operacional e financeira, que trará ganhos totais de R$ 5 bilhões (maior parte deste ganho virá da venda de ativos), através de redução de pessoal, redução no número de diretorias, fechamento de fábricas na Argentina,Europa e Tailância, otimização de custos em várias fábricas e dívida líquida/ebitda em 4,35x em 2018 e de 3,0x em 2019. Anunciou ainda, que em agosto/18, haverá informações adicionais da reestruturação. Pedro Parente sinalizou que não haverá aumento de capital neste momento, fato que derrubou as ações em bolsa em junho. A nosso ver, a empresa terá um longo caminho a percorrer, não será fácil, mas sairá fortalecida no médio prazo.

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