Palavras do Gestor


Infelizmente, nada é eterno. Mas nenhum mal dura para sempre. Após uma alta de mais de 10% em janeiro, em fevereiro a Bovespa encerrou em baixa de 1,86% e o dólar surpreendeu com alta de 2,37% com a saída de R$ 2,6 bilhões de recursos de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.

As notícias negativas de empresas que prejudicaram o mercado foram:

1) a Vale continua com tom negativo e o fundo do poço parece não chegar ao fim. Agora, a Moody´s retirou seu Grau de Investimento, colocando sua perspectiva negativa. Além disso, em março, o Conselho de Administração achou por bem afastar o presidente Fabio Schwartsman para acalmar os ânimos com o Ministério Público.

2) Petrobras divulgou seu resultado do 4º trimestre abaixo das estimativas trazendo uma série de despesas não recorrentes.

3) ItauUnibanco, suas ações caíram com a divulgação do resultado abaixo das estimativas de mercado, entretanto, apresentou uma distribuição de dividendos acima do esperado.

4) Setor elétrico corre contra o tempo. Os elevados custos das companhias estatais colocam em xeque o atual modelo. Para isso, o governo tenta finalizar as discussões até junho de 2019 para partir para um novo modelo viável ao setor. Agora basta saber se será aprovada a privatização ou será uma mera capitalização. Com certeza o mercado aguarda a privatização.

5) Em São Paulo, o anúncio do fechamento da fábrica da Ford em São Bernardo do Campo trouxe a demissão de 2,8 mil funcionários e mais 1,5 mil terceirizados. Essa decisão faz parte da reestruturação dos negócios da Ford ao redor do mundo com custo estimado em US$ 11 bilhões.

No meio de notícias ruins, temos as positivas, a Rede DÓr dono do São Luiz, Copa DÓr e Clínica São Vicente planeja investir R$ 8 bilhões entre 2019 a 2023, após investimentos de R$ 7 bilhões nos últimos quatro anos.

Privatização dos aeroportos sob a estatal da Infraero pode atrair interesse de estrangeiros como as operadoras francesas Vinci, Aéroports de Paris, alemãs Avialliance em parceria com o Pátria e Fraport, suíça Zurich AG e a espanhola Aena. No Brasil existe interesse da CCR com a Socicam, consórcio com a Sinart.

Na parte política, com menos de 50 dias tivemos a demissão do ministro da Secretaria Geral da Previdência, Gustavo Bebiano. As grandes linhas da Reforma da Previdência, após várias discussões, a proposta foi encaminhada com uma economia de R$ 161 bilhões em 4 anos e R$ 1,07 trilhão em 10 anos.

 

Agora será levado à aprovação na Câmara e no Senado. A princípio, nada é fácil ser aprovado, mas podemos sinalizar que existe um certo otimismo na aprovação de grande parte desta Reforma.

No cenário externo, nos EUA, Warren Buffett, da Berkshire Hathaway, após balanço da Kraft Heinz, veio a público admitindo que pagou muito caro pela fusão entre as duas companhias. Após a fusão, o valor de mercado estava avaliado em US$ 89 bilhões, após a publicação do balanço caiu para US$ 41,6 bilhões. O balanço veio com uma baixa contábil de US$ 15 bilhões, fazendo a companhia cortar o pagamento de dividendos, assim, as ações caíram 30% no dia.

Na Europa, o Brexit está trazendo grandes mudanças no mercado de Londres. Vários bancos já estão tirando as suas operações mesmo que leve a incorrer em grandes despesas. Acreditamos que não haverá mais volta nessa decisão.

Por fim, a China. Em fevereiro as reservas chinesas atingiram US$ 3,09 trilhões, número que vem crescendo a cada ano. Recentemente, a Brooking Institution (órgão pesquisador de Washington) reforçou ceticismo nos números oficiais divulgados pelo governo chinês, alegando que a desaceleração apresentada é mais preocupante do que vem admitindo o governo. Para 2019, o governo chinês anunciou PIB de 6% a 6,5%. Como Brasil é um grande exportador para esse país, não poderia ser diferente, os preços das commodities estão oscilando conforme essas notícias, afetando as ações das respectivas empresas em bolsa.

No Brasil um certo pessimismo no ar com os desencontros do governo Bolsonaro, entretanto, acreditamos que tudo faz parte de um grande aprendizado para todos. Uma coisa é certa e todos sabem disso: Esta é a hora e a chance de dar a volta por cima e mostrar que o país pode crescer muito mais nos próximos anos. As empresas cortaram seus custos nos últimos anos e agora podem produzir sem grandes investimentos. Reduzir o desemprego. Aumentar a renda. Mostrar ao investidor estrangeiro que estamos preparados para colher os frutos de bilhões de dólares que aguardam a aprovação da Reforma da Previdência.

Enfim, se o mundo permitir, apesar de algumas realizações pelo caminho, continuamos otimistas com o mercado para 2019.

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