Palavras do Gestor


Maio não foi tão ruim quanto se esperava. Após 10 anos consecutivos de baixa no mês de maio, a Bovespa encerrou com alta de 0,70%. Entretanto, ao longo do mês, o Índice Bovespa chegou a atingir a mínima de 89.409 pontos pela onda de notícias negativas dos EUA e do Brasil.

Podemos sinalizar os principais fatores que contribuíram para a forte oscilação dos mercados:

Nos EUA

  • Presidente Trump anunciou novo aumento de tarifa de 10% para 25% para US$ 200 bilhões de produtos. Depois de alguns dias, mais 25% para outros US$ 325 bilhões de produtos de consumo em geral.
  • Na reunião do FED, como previsto, as taxas de juros ficaram inalteradas em 2,25% – 2,50%. Segundo o presidente do FED, Jerome Powell, não existe necessidade de novas mudanças no curto prazo, já que a inflação está em queda.
  • Com a forte imigração de mexicanos, o presidente Trump irá impor aumento nas tarifas de importação de 5% a partir de 10/06/2019 ou de até 25% a partir de 01/10/2019.
  • A safra de milho deverá ficar aquém da estimada de 381,7 milhões de toneladas, uma vez que foram plantadas somente 58% da área projetada, cujo histórico é de 90%. Com a notícia, o preço que estava em US$ 342/bushel atingiu a máxima de US$ 423/bushel em maio/2019, alta de 23,6%.
  • O preço do petróleo WTI atingiu próximo de US$ 77/barril em outubro/2018, hoje está US$ 53/barril, queda de 31%.

Na China

  • Indicador PMI (Gerente de compras de manufaturados) caiu de 50,1 em abril para 49,4 em maio, sinalizando retração da economia.
  • A China é o maior importador de soja do mundo. Em função de novas tarifas impostas pelos EUA, a China tem reduzido as suas compras.
  • O preço do minério de ferro atingiu a máxima de US$ 108,5/ton.
  • O preço da celulose vem caindo pela 13ª semana consecutiva, atingindo US$ 635,9/ton em 03/06/2019.

No Brasil

  • O IBC-br do 1º trimestre/2019 apresentou queda 0,20%, sendo a 1ª retração desde 2016. Alguns bancos já estão reduzindo o PIB de 2019 para baixo de 1%.
  • Os investidores estrangeiros retiraram da bolsa brasileira R$ 4,1 bilhões, sendo que somente no dia 31/05/19, os investidores entraram com R$ 1,5 bilhão de recursos. O acumulado até maio continua negativo em R$ 3,6 bilhões.
  • Notícia triste para alguns, mas positiva para as empresas frigoríficas brasileiras, o anúncio da peste suína africana afetou drasticamente a China, segundo alguns economistas, a retomada da produção chinesa ainda levará alguns anos. Para o Brasil foi positivo, já que os frigoríficos passarão a exportar maior quantidade de produtos, cujo preço já subiu em média mais de 20%, melhorando assim, as margens das companhias.
  • O anúncio positivo do setor de Infraestrutura através de venda de novas concessões e privatizações em rodovias, portos e aeroportos, cujo montante pode atingir R$ 38 bilhões. Grande parte previsto para 2020.
  • O ministro da economia, Paulo Guedes, estuda a liberação do saque do FGTS, cujo percentual ainda não está definido. No governo do presidente Temer foi adotado a mesma medida, essa política injetou R$ 44 bilhões à economia. O setor de consumo foi a mais beneficiada.
  • Anúncio de assinatura de intenção de estudos da fusão da BRF e Marfrig, com prazo de 90 dias. O impacto foi negativo, já que os estudos são iniciais e não se sabe o efeito da sinergia desta fusão.
  • As notícias sobre a Vale continuam afetando a empresa. O Ministério Público de Minas Gerais protocolou mais uma ação civil contra a empresa com garantias financeiras de R$ 50 bilhões. Até o momento a empresa não foi notificada. Com a notícia da barragem de Brumadinho, as ações caíram drasticamente (mínima de R$ 40,51 e máxima de preço R$ 56,20). Em abril as ações estavam em R$ 53,80. Mais recente, em junho, a cotação está abaixo de R$ 50, pelo fraco resultado do 1º trimestre. Nem mesmo a cotação do preço de minério de ferro acima de US$ 100/t, não ajudou na sua recuperação.
  • O STF suspendeu a venda da TAg, empresa da Petrobras, com argumento que acatou os questionamentos dos sindicatos dos petroleiros e dos trabalhadores das refinarias. Em 05/06/2019, volta a votação no STF, se a liminar de Edson Fachin será mantida ou não.
  • Tudo indica que no mês de junho podemos ter deflação, pois o governo anunciou redução nas tarifas de energia via a Aneel, ainda, queda no preço da gasolina em 7,1% e do diesel na refinaria em 6% e sazonalmente, neste momento, os preços dos alimentos não sofrem pressão. Esse dado reflete diretamente na taxa Selic, que para alguns agentes financeiros já trabalha com queda da taxa.
  • Agora em junho, finalmente, por 55 votos a 12, foi aprovada a MP 871, que possibilita economia de R$ 10 bilhões.

Enfim, maio foi um mês com muitas informações. Externamente, podemos dizer que nos EUA, o temor de uma recessão começa a incomodar o mercado. A briga entre o presidente Trump e a China começa a arrefecer os mercados globais nas suas transações internacionais. Na China, os indicadores de PMI já foram fracos, mas ainda não reflete a real situação da peste africana e do elevado preço do minério de ferro.

No Brasil, a economia continua muito fraca, mas o governo vem demonstrando que está preocupado e tomando medidas para reverter essa situação, a partir do 4º trimestre/2019. Existe um esforço da Câmara dos Deputados, do Senado e do ministro Paulo Guedes em aprovar a Previdência no curto prazo. Esse otimismo já começa a refletir na Bovespa com o índice a 97.000 pontos, após atingir abaixo de 90.000 pontos. Somos otimistas para o mercado de capitais. Aprovada a Previdência, a Bovespa estará em outro patamar, onde a partir desse momento, os agentes econômicos poderão trabalhar através de várias operações, seja de venda de concessão, privatizações, IPOs, Debêntures e fusões e aquisições. Nós acreditamos que haverá um mercado próspero para o mercado de capitais em geral.

No 1º trimestre/2019, os resultados ficaram um pouco aquém das estimativas do mercado. Entretanto, nas conferências das companhias, a Cemig e a Marfrig chamaram atenção. A Cemig, após um governo desastroso, agora com o novo governador, Romeu Zema, do partido Novo está trabalhando para melhorar a crítica situação do estado de Minas Gerais e consequentemente, a Cemig está trabalhando para reverter a sua imagem junto ao mercado de capitais, através da reestruturação da dívida e focar no seu core business e desfazer o que não faz parte.

No caso da Marfrig, sua receita está voltada na sua maior parte no mercado externo com volumes e margens crescentes. A fusão entre a Marfrig e a BRFoods pode criar uma grande empresa com grande foco no mercado interno e externo, entretanto, os benefícios da sinergia ainda não são claros. Nesse prazo de 90 dias, acreditamos que haverá boas oportunidades de troca entre as duas empresas. Ainda, a proporção da fusão de 85% para a BRFS e 15% para a Marfrig feita através do valor de mercado, pode ter desfavorecido a Marfrig.

Outro setor bastante prejudicado em maio e começa junho em queda, é o setor de papel e celulose, onde os preços no mercado internacional continuam em queda livre. O resultado da Klabin ficou próximo das estimativas de mercado, entretanto, o da Suzano ficou muito abaixo das expectativas. O 1º trimestre/2019, foi o primeiro balanço após a fusão entre a Suzano e a Fibria. Existem dúvidas de que o benefício da sinergia tenha que ser revisado para baixo.

Por fim, nuvem negra pairando sobre a Braskem. Saiu o acordo de leniência no valor de R$ 410 milhões a ser pagos em duas parcelas, 2024 e 2025. Além disso, existem pendências já anunciadas em Alagoas, onde acredita-se que a extração de sal-gema possa ter ocasionado instabilidades geológicas nas estruturas de três bairros (Pinheiro, Mutange e Bebedouro). Em função desse fato relevante, os dividendos de R$ 2,7 bilhões foram bloqueados antes de serem aprovados na assembleia de abril/2019. Por fim, em 04/06/19, outro fato relevante, a interessada na compra da Braskem, a LyondeBasell retirou as negociações de compra. A Braskem é uma empresa rentável, com boa distribuição de dividendos, entretanto, as notícias em Alagoas não ajudam e agora, a situação financeira do seu controlador, a Odebrecht, está bastante complicada.

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