Palavras do Gestor


A Bovespa finalmente rompeu os 100.000 pontos, fechou junho a 100.967, com uma alta de 4,06%, acumulando no ano 14.88%. Depois do melhor mês de maio dos últimos 10 anos, junho continuou com fôlego para atingir o recorde em número de pontos no dia 24/6. No intraday bateu 102.617, para fechar 102.062. O otimismo com a aprovação da Reforma da Previdência prevaleceu, colocando a bolsa em outro patamar. O saldo líquido de investimentos estrangeiros estava positivo em quase R$ 1 bilhão até o dia 25 do mês, mas terminou o mês com saída de R$ 246 milhões. Os estrangeiros aproveitaram a alta para realizar um pouco, uma vez que até aquela data, não se sabia se a Previdência seria votada no 1º semestre. O saldo do ano totaliza uma saída liquida de R$ 4.3 bilhões.

O dólar seguiu o sentido oposto da Bolsa, encerrou o mês com uma baixa de 2.75%, cotado a R$ 3.83, acumulando uma baixa de 0.87% no ano. A valorização do Real também ocorreu pelo andamento da Reforma da Previdência, que deverá ser votado em 1º turno até 18 de julho quando o Congresso entrará em recesso.

Na última reunião do Copom, o Banco Central manteve a Selic em 6.50%. A inflação está controlada e a atividade econômica fraca. Na última estimativa do RTI (Relatório Trimestral de Inflação), o Banco Central reduziu a projeção de crescimento do PIB para este ano, aliás uma das mais pessimistas do mercado, inferior a 1%.

Na última ata do Copom, o BC está com um discurso bem mais ‘dovish’, embora tenha condicionado a aprovação da Reforma da Previdência ao início do corte de juros. O mercado já está trabalhando com dois cortes de 0.25% nas próximas reuniões do Copom. O primeiro corte já se daria em 31/07. Algumas instituições trabalham com 3 cortes, a Selic terminando o ano em 5.75%.

As metas de inflação para 2021 e 2022 foram definidas, com redução de 0.25%, ou seja, 3.75% para 2021 e 3.50% para 2022, com margem de tolerância de 1.50 ponto porcentual para cima ou para baixo.

Lá fora, o FED, banco central americano, também veio com um discurso mais dovish, depois que os dados da economia americana vieram mais fracos, em função da Guerra Comercial entre EUA e China. A boa notícia veio no final do mês, na reunião do G20, em Tóquio entre Estados Unidos e China. Trump sinalizou que não irá impor novas tarifas a China e decidiram reabrir conversas para chegar a um bom acordo para ambas as partes.

A surpresa positiva no G20 foi o acordo entre o Mercosul e a União Europeia, tirando assim o Mercosul do isolamento e mostrando que o Brasil mudou sua política externa em relação as economias mais desenvolvidas e quer maior aproximação. Segundo o Ministério da Economia, este acordo pode aumentar o PIB brasileiro em até U$ 125 bilhões em 15 anos, além do aumento de investimentos estrangeiros no nosso país.

Com a aprovação da Previdência, virá logo em seguida a Reforma Tributária, o que trará mais fluxo de investidores para o mercado, além dos investimentos estrangeiros tão esperados.

Continuamos otimista para a Bolsa para os próximos meses. Após revermos nossas projeções para o final do ano, estamos trabalhando com:

Selic : 5,75%

PIB : 1,00%

Inflação : 4,00%

Dólar : R$ 3,65

Ibovespa : 115.000 pts

Com relação as empresas, as principais notícias em junho foram:

  • Banco Pan – a Caixa que possui desde 2009 participação de 41,7%, estuda a possibilidade de fazer oferta pública para essa venda. O maior interessado é o BTG que já possui 36,56% do capital.
  • Braskem – Com as notícias nebulosas da controladora Odebrecht, a LyondellBasell suspendeu a negociação de compra da Braskem. Ainda, o Ministério Público determinou o bloqueio cautelar no valor de R$ 3,7 bilhões para garantir eventuais indenizações à população afetada nos 3 bairros, onde se dá a produção de Salgema. Vale lembrar que os estudos finais ainda não foram divulgados.
  • Cemig – anunciou seu novo Guidance. Investimentos de R$ 8,3 bilhões de 2019 a 2023. Ebitda 2019 = R$ 3,9 bi, 2020 = R$ 4,53 bi e 2021 = R$ 5,78 bi e divída/ebitda 2019 = 3,48x, 2020 = 2,37x e 2021 = 1,94x. Notícias de privatização rondam a companhia.
  • Hapvida – empresa de Fortaleza, abriu capital em abril/2019. Em junho adquiriu o Grupo América de Planos de Saúde de Goiás por R$ 426 milhões, em maio, comprou o Grupo São Francisco por R$ 5 bilhões para atuar no centro-oeste e sudeste.
  • IRB Resseguro – O Banco do Brasil ventilou a possibilidade de sair de sua posição na IRB. As conversas devem seguir nas próximas semanas.
  • Magazine Luiza comprou a Netshoes por R$ 446,9 milhões (US$3,00). A oferta da Centauro, apesar de maior (US$ 3,50), foi rejeitada pelo Conselho da companhia, pois o preço mais alto, não compensaria os riscos de uma demora maior para o fechamento da venda. A Netshoes fez seu IPO ao preço de US$ 18, captando no total US$ 138,9 milhões.
  • Neoenergia – controlada pela Iberdrola, abriu seu capital com demanda acima de 5 vezes com preço de R$ 15,65/ação. O montante atingiu R$ 3,2 bilhões.
  • Odebrecht – Entrou com pedido de recuperação judicial de R$ 98,5 bilhões. Os maiores bancos são os principais credores.
  • O Pão de Açúcar vendeu sua participação de 36,27% na Via Varejo através de leilão no último dia 14/06. Após 10 anos, Michael Klein, voltou para o comando da Via Varejo. Nos últimos dias, a empresa está passando por grande reestruturação nas áreas administrativas e financeiras. As mudanças podem ser positivas para o futuro da companhia. A Via Varejo está lançando seu banco digital, o banQi com a Airfox americana, que possibilitará saques e depósitos nos caixas das lojas.
  • Petrobrás – Após muita discussão, a empresa vendeu 90% da TAG-Transportadora Associada de Gás por US$ 8,6 bilhões ou R$ 33,5 bilhões. A Engie ficou com 58,5%, o fundo canadense CDPGcom 31,5% e a Petrobras ficou com 10%. No início de julho, a Petrobras anunciou a venda de parte de sua posição (71,3%) na BR Distribuidora. Essa participação poderá reduzir até 41,25%, considerando o lote suplementar. Ao preço de R$ 24,50/ação o valor da operação pode atingir R$ 7,1 bilhões a R$ 9 bilhões.
  • Vale – Efeito Brumadinho – o IBRE-FGV – esperava em abril/2019 queda de 10% na extração mineral, mas atingiu perda de 24%, muito acima do esperado. Previ (Fundo de Pensão do Banco do Brasil) perdeu R$ 5,8 bilhões com a tragédia em Brumadinho no 1º trimestre/2019. A renda variável representa R$ 80 bilhões, sendo que Vale representa R$ 40 bilhões dentro deste portfólio.
  • Viracopos – controlada pela Triunfo e a UTC, o aeroporto em fase de recuperação judicial desde maio/2018 com débitos de R$ 2,88 bilhões., sem considerar pagamento das outorgas ao poder concedente. O consórcio formado pela Zurich Airport e IG4 Capital tem interesse no contrato de concessão. A assembleia convocada para o dia 27 de junho não teve quórum, nova data será marcada para solucionar os problemas.

 

 

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