Palavras do Gestor


Alta volatilidade no mês de julho.

A Bovespa encerrou com alta de 0,85% com 101.126 pontos. No início do mês, a bolsa acabou andando de lado, aguardando a aprovação da Previdência, aprovada somente no final da 1ª quinzena. Neste momento, a Bovespa atingiu o pico de 106.650 pontos, alta de 5,45% sobre o fechamento de junho. Se considerarmos julho/2018, a Bovespa subiu 27,76%. O dólar caiu na sua mínima de R$ 3,75, juntamente com a queda de juros futuros. Mas nada dura para sempre. Na 2ª quinzena, o presidente Trump anunciou novas sanções com aumento de 10% para mais US$ 300 bilhões de produtos da China, colocando a bolsa de volta à mínima de 100.073 pontos. Os investidores estrangeiros continuaram sacando recursos do país, em julho, de R$ 6,5 bilhões, acumulando R$ 10,43 bilhões.

O país viveu dias de glória com a aprovação da Reforma da Previdência com um placar inesperado de 379 contra 131 votos, ficando com o Rodrigo Maia, a grande vitória. Os valores finais desse benefício, não se sabe ao certo, entretanto pode ficar ao redor de R$ 900 bilhões em 10 anos, número abaixo de R$ 1 trilhão desejado pelo Ministro Paulo Guedes, mas muito acima do valor citado pela imprensa. Com o recesso parlamentar, a votação em 2º turno será a partir do dia 06/08.

No Brasil, o IBC-Br em maio/19 em relação abril/19 subiu 0,54%, sendo a 1ª alta do Governo Bolsonaro, mas alcançado pelos números fracos de maio/2018, em função da greve dos caminhoneiros. Em maio/19, a produção Industrial caiu 0,20%, sendo a 3ª queda no ano. Assim, como esperado pelo mercado, o Banco Central abaixou a taxa Selic de 6,5% para 6% a.a., haja vista, o fraco desempenho econômico. Nos EUA, o Banco Central reduziu em 0,25% a taxa básica, ficando aquém do esperado, além de um discurso sem definição para a próxima reunião do BC. O presidente do BC americano, Jerome Powell, sinalizou inflação sob controle, efeito negativo com a guerra comercial com a China e os possíveis desdobramentos para o resto do mundo. Na China, o PIB do 2T19 ficou em 6,2%, ante 6,4% no 1T19, sendo o mais fraco desde 1992. Números que apresentam constante queda e sinalizando uma economia mais lenta.

Além da Reforma da Previdência, o governo juntamente com o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, já estão sinalizando a Reforma Tributária, ainda, em 2019. Nas últimas semanas, o Ministro Paulo Guedes através de Medida Provisória, divulgou a liberação de saque de R$ 500 de contas ativas do FGTS (set/19 até mar/20), 100% dos rendimentos do FGTS, mais PIS/PASEP. Estima-se que será liberado montante acima de R$ 40 bilhões. A consultoria LCA estima que essa medida pode trazer incremento de 0,55% do PIB ao longo dos próximos meses. Outra medida, o Banco Central reduziu de 33% para 31% o compulsório sobre os depósitos a prazo, liberando mais R$ 16,1 bilhões ao mercado. Segundo o Ministro Guedes, caso consiga a desestatização do mercado de crédito, haverá aumento significativo no crédito privado, que pode atingir R$ 100 bilhões.

O mercado brasileiro continua com forte demanda nas operações voltadas ao mercado de capitais. Neste 1S19, a oferta de ações atingiu R$ 29,3 bilhões, ante R$ 6,9 bilhões do 1S18. O valor das operações ficou em R$ 24,8 bilhões de follow on e R$ 4,5 bilhões em IPOs. Este valor não considera as operações de Light e da Petrobras BR, que foram realizadas em julho.

Apesar da saída dos investidores estrangeiros, o mercado de capitais brasileiro promete boa recuperação, já que as empresas estão reduzindo seus custos operacionais e as dívidas. Podemos considerar que as empresas estão prontas para a recuperação da economia. Podemos sinalizar

que os múltiplos para 2020 e 2021 estão atrativos. Com a queda de juros e baixa inflação, indicamos o setor de varejo no geral e o setor de construção civil. Considerando as boas perspectivas de redução da dívida da Petrobras em 2019 e 2020, a empresa consta do nosso portfólio de indicação.

Empresas

 

BR Malls: o BTG vai comprar a participação de 7 shoppings da companhia, cujo valor estimado é próximo de R$ 700 milhões.

IRB Resseguros: realizou a operação de venda totalizando R$ 8,5 bilhões ao preço de R$ 90,00/ação. A União Federal (11,7%) e o Banco do Brasil Seguros (15,2%) saíram de suas posições. Bradesco Seguros e o Banco Itaú Seguros mantiveram suas participações intactas.

Havida: operação de venda de ações no montante de R$2,6 bilhões ao preço de R$ 42,50/ação. Seu controlador PPAR Pinheiro Participações reduziu sua participação de 78,27% para 73,21%. Forte valorização desde o IPO em fevereiro/2019, cujo preço foi de R$ 23,50/ação. Além disso captou mais R$ 2 bilhões em debêntures. Estes recursos serão utilizados para fazer frente as aquisições feitas em 2019 (São Francisco – operadora de plano de saúde – R$ 5 bilhões, Hospital Juazeiro – R$ 16,5 bilhões, Américas – operadora de plano de saúde – R$ 426 milhões, empresa tecnologia – R$ 12,5 milhões).

Light: operação de venda de participação da Cemig de 49% para 22,6% ao preço de R$ 18,75/ação, cujo montante atingiu R$ 2,5 bilhões.

Petrobras: divulgou lucro de R$ 18,8 bilhões no 2T19. Este número foi impactado por não recorrente na venda da Tag e Pasadena. O resultado ajustado desses efeitos foi de R$ 5,2 bilhões. A dívida/ebitda caiu de 3,19x no 1T19 para 2,69x no 2T19. Esse indicador poderá chegar a 1,5x, com a expectativa dos programas de desinvestimentos. A companhia sofreu duas derrotas no CARF-Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de R$ 7,9 bilhões, mas pretende recorrer na Câmara Superior. Além disso, em julho assinou com o CADE a sua saída do mercado de gás natural até 2021.

Petrobras BR: em julho, realizou a venda das ações, onde a Petrobras reduzindo sua posição de 71,5% para 37,50%. O preço da oferta ficou em R$ 24,50/ação. Com a entrada de novos acionistas, a BRDT já planeja reestruturação para reduzir seus custos. Bom ativo para médio e longo prazos.

Tecnisa: operação de venda no montante de R$ 445 milhões ao preço de R$ 1,10/ação. Os recursos serão utilizados para redução da dívida e novos lançamentos na capital paulista.

Vale: No 2T19, divulgou prejuízo de R$ 384 milhões e Ebitda de R$ 12,2 bilhões. Estes números ainda foram impactados pela barragem de Brumadinho (R$ 5,9 bilhões), barragem de Germano (R$ 933 milhões) e Fundação Renova (R$ 1,47 bilhão). Segundo a Vale, não se espera mais despesas relevantes com relação às barragens para os próximos trimestres. Obs: No início de julho/19, o preço do minério atingiu o pico de US$ 125,77/ton, ficando abaixo somente de jan/2014, de US$ 128,75/ton. A escalada de preços foi ocasionada com a barragem de Brumadinho e pela menor oferta de minério de ferro da Austrália, em 6%, em função do ciclone Verônica. Os dois países são os maiores exportadores de minério de ferro. Nos últimos dias, o preço do minério de ferro realizou até o patamar de US$ 100,56, já que existem dúvidas quanto ao desempenho da economia chinesa.

Via Varejo: haverá aporte de R$ 300 bilhões com a criação do banco digital, banQi, cuja controladora é a americana Airfox. Mastercard, Zurich Seguros e Cielo serão parceiros na operação.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *