Palavras do Gestor


Agosto, mês do cachorro louco! Melhor dizer que louco foi a volatilidade do Bovespa e do Dólar.

A Bovespa encerrou em baixa de 0,67% com 101.134 pontos. Foi mais um mês de grandes oscilações. As novas medidas do presidente dos EUA, Donald Trump impondo mais aumentos nas tarifas de importação da China, fizeram com que a Bovespa atingisse a mínima de 95.855 pontos e a máxima de 104.848 pontos. Os investidores estrangeiros retiraram da bolsa R$ 10,8 bilhões e no acumulado do ano R$ 21,2 bilhões. Entretanto, essa saída de recursos foi compensada pela entrada dos investidores nas compras de vários follow on e IPOs das empresas, realizadas na B3 este ano.

O dólar foi o ativo que mais subiu no mês, com uma valorização de 9,9%, encerrando em R$ 4,1385, atingindo a máxima de R$ 4,168. Para dar liquidez ao mercado e diminuir a volatilidade da moeda americana, o Banco Central passou a vender dólares no mercado à vista, mudando a estratégia de atuação. Ele começou a vender lotes diários de até U$ 550 milhões, este tipo de operação não ocorria desde 2009. Além disso, também passou a ofertar contratos de swap cambial. Mesmo nestes níveis alto do dólar, o mercado continua trabalhando com mais um corte de 0.50% na próxima reunião do COPOM, em 18/09, chegando a 5.50% aa. Acreditamos que o dólar poderá recuar um pouco, mas não deverá cair tão forte como estávamos apostando no começo do ano, ele deverá terminar 2019 em torno de R$ 3.85. Como a economia está fraca, a alta do dólar não gera um ‘pass trough’, ou seja, o repasse do aumento do dólar para os preços. O governo aproveitará esta alta da moeda americana, sem que atinja a inflação para remunerar o exportador e gerar um ciclo positivo na economia, um crescimento do PIB via exportador.

Com o fim do recesso no Congresso, a Reforma da Previdência praticamente já virou passado, apesar de faltar a aprovação no Senado. Ela está sendo discutida na CCJ (Senado) e depois seguira para a votação no Senado em dois turnos, acreditamos que até 10/10 ela estará sacramentada, com uma economia de R$ 870 bilhões em 10 anos. Este valor ficará um pouco abaixo do esperado pelo Governo, mas será compensada pela PEC paralela, podendo chegar a R$ 1.3 trilhão. Agora começa um longo caminho para a Reforma Tributária. Existem muitas notícias circulando através da imprensa, mas uma coisa parece certa, haverá redução da alíquota de IR de 27,5% para pessoa física, bem como para pessoa jurídica do atual 25% e a criação de um imposto sobre Valor Agregado-IVA que seria a unificação de vários impostos. Pode haver ainda, algum imposto compensatório nos moldes da CPMF, embora haja muita resistência por parte do Congresso e de muitos integrantes do Governo. Quanto aos dividendos, também se fala muito, mas não há nada definido.

Outro tema muito falado e discutido foram as privatizações. De um pacote de 17 estatais, só 9 empresas foram divulgadas. Entre as principias desta lista, estavam Telebrás e Correios. Surgiram boatos que Petrobras também poderia ser privatizada neste Governo, entretanto não acreditamos a curto prazo.

Depois de sucessivos aumentos nas tarifas de importação pelos EUA, governo chinês pegou a comunidade financeira desprevenida, desvalorizou a moeda chinesa para acima de 7,00 yuans/US$, fato que não acontecia desde 2008. Trump novamente deu o troco, mexeu nas tarifas, as que entrariam em vigor a partir de 1º de setembro passaram de 10% para 15% e as que entrarão em 1º de outubro sobre $250 bilhões de 25% para 30%.

Na última reunião do FED, no final de julho, houve uma redução dos juros de 0.25%, ou seja, os juros americanos estão entre 2.0% a 2.25%. Na próxima reunião em 18/9, o mercado já aposta em outro corte de 0.25%, trazendo para os patamares de 1.75% a 2.00%.

A curva invertida dos juros americanos, tema muito falado entre os principais economistas do mundo, deixou o mercado sobre alerta. No início de março deste ano, a taxa de longo prazo (10 anos), cruzou a de curtíssimo prazo (3 meses), mas esta inversão não é tão significativa quanto a inversão de 10 anos (1.5474%) com a de 2 anos (1.603%), como está acontecendo agora, desde meados de agosto. A última vez que houve esta inversão foi em março de 2005. Apesar da economia americana estar em pleno emprego, o PIB acima das expectativas, com crescimento de 2.6% no 1º semestre, a guerra comercial e o índice de confiança do consumidor têm preocupado os investidores, levando a uma redução de investimento e uma desaceleração do crescimento.

Um fato curioso, dizem alguns estudiosos, essa inversão da curva dos juros se dá como aviso ao início de uma recessão, mas só no caso dela se manter por um longo período. Por isto, acreditamos que desta vez poderá ser diferente pois as principais economias do mundo estão com as suas taxas de juros negativas.

Na Argentina, as eleições primarias em 11/8 indicaram uma perda para Macri. A chapa kirchnerista, composta por Alberto Fernandez e Cristina Kirchner, apresentou uma vantagem de 15 pts, confirmando um favoritismo na eleição de 27/10. Caso se confirme este resultado, a esquerda voltará a governar a Argentina. Tanto que no Day-after desta primária, a Bolsa de Valores caiu quase 38% e o dólar subiu mais de 30%, passando de 46 pesos/dólar para 60. Macri decidiu trocar o Ministro da Economia, saiu Nicolás Dujovne e entrou Hermán Lacunza. Logo em seguida Lacunza pediu um adiamento do pagamento das parcelas da dívida, junto ao FMI. Não foi uma moratória, mas poderá vir a ser, caso a Argentina não consiga pagar estas parcelas no futuro. O BC argentino tomou algumas medidas para conter a alta do dólar e a escassez da moeda americana, além de preservar as reservas internacionais. Na Província de Buenos Aires, maior colégio eleitoral do país, está na frente com 49,31%, o ex-ministro da economia do governo de Cristina Kirchner, porem começa a perder votos, muitos acham que a situação financeira estava melhor antes com Cristina.

A divulgação do PIB brasileiro, surpreendeu positivamente o mercado, o crescimento no 2º tri foi de 0.4%, embora fraco, foi o dobro do esperado, afastando assim o medo de uma recessão técnica que é caracterizada por dois trimestres consecutivos com PIB negativo. Na comparação com igual período de 2018, o crescimento foi de 1%.

Acreditamos que a alta volatilidade da Bolsa continuará, mas estamos otimistas, principalmente pela aprovação da Reforma da Previdência, início da Tributária e corte dos juros.

Empresas

Banco Pan – Emissão de R$ 2 bilhões de ações primária e secundária, sendo este último, com a venda de parte das ações da Caixa, cujo aquisição no passado foi ao preço de R$ 2,40/ação, preço atual próximo de R$ 10,00/ação.

Banco Original – a holding J&J estuda novamente o IPO do banco.

BRFS – Resultado no 2T19 já foi melhor, refletindo maior exportação para o mercado chinês, com melhora de volumes e margens. A companhia sinalizou que essa melhora tende a continuar mais forte no 3T19. Assim, com a melhor performance operacional, a empresa acredita que ao final de 2019 a dívida/ebitda ficará próximo de 3,15x (2T19 ficou em 3,74x).

Cemig – Redução de participação na Light de 33,3 milhões de ações a R$ 18,75. Anúncio de venda de ativos para redução da dívida. Redução em 25% dos cargos de gerência. Dívida/ebitda atual de 2,82x, redução contínua ao longo dos anos (2016 – 4,98x/2017 – 3,52x/2018 – 3,46x). Perspectivas de IPO da subsidiária de gás em 2020. Boas perspectivas.

Itausa – O grupo formado pela Itausa, Copagaz e a Nacional Gás Butano apresentou a melhor oferta para aquisição da companhia de gás da Petrobras, a Liquigás. A compra está em fase de negociação de contratos.

JBS – Retoma IPO nos EUA para novas aquisições.

Qualicorp – A Rede D’Or adquiriu 10% da Qualicorp. Essa participação pertencia ao fundador da Qualicorp, José Seripieri Filho.

Petrobras – Em agosto a produção total de petróleo e gás atingiu 3,1 milhões boed, sendo que desse total o pré-sal representou 2,2 milhões boed. A empresa sinaliza a venda de outros ativos para redução da dívida, que hoje está em US$ 101 bilhões. A Petrobras divulgou como fato relevante aprovado no Conselho de Administração sobre a distribuição dos dividendos: se a dívida bruta da companhia estiver abaixo de US$ 60 bilhões, a distribuição aos seus acionistas será 60% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e os investimentos, caso contrário a política continuará com o mínimo obrigatório conforme previsto no Estatuto Social. Outro fato importante, já em setembro, o Senado aprovou a PEC da cessão onerosa, procedimento onde o governo garantiu à Petrobras, o direito de explorar por 40 anos a área do pré-sal, sem licitação. O leilão referente à cessão onerosa deverá ser em 2019, a princípio marcado para 06/11/2019.

 

 

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