Palavras do Gestor


O fim do mês de setembro, encerra também o 3o trimestre deste ano. Depois de mais um mês de muita volatilidade, terminamos com mais do mesmo, pelo menos com as bolsas brasileira e mundiais para cima. O Ibovespa apresentou uma valorização de 3.57% no mês e 19,18% no ano. Depois de perder os 100.000 pts no meio do mês e se aproximar da máxima histórica de 105.817 pts, o Ibovespa fechou com 104.745 pts.

O Dólar comercial terminou mais um mês valorizando-se em relação ao Real, cotado a R$ 4.155, com um ganho de 0,63%, acumulando um ganho de 7,47% no ano. Apesar desta valorização, o câmbio não tem gerado impacto, nem preocupação em relação a inflação. O IGPM apresentou uma ligeira deflação, -0,01%, acumulando 4,09% no ano e 3,37% em 12 meses. O IPCA (inflação oficial) também não deve ser muito diferente, a expectativa, não é deflação, mas bem próximo a zero, sendo assim o acumulado do ano ficará em 2.55% e a previsão para 2019 abaixo de 4%, ficando mais uma vez abaixo do centro da meta que é de 4.25%.

Inflação baixa e controlada, atividade econômica fraca, fizeram com que o BC tomasse a decisão unânime de cortar mais 0.5% na Selic para 5.50% e deixar a porta aberta para mais um corte de 0.50%, na próxima reunião do COPOM em 30/10. Apesar da atividade econômica fraca, a produção industrial de agosto, divulgada no mês passado surpreendeu com crescimento de 0.8%, em relação a julho, interrompendo 3 quedas consecutivas, além disto, foi o melhor resultado de agosto desde 2014.

No Congresso, a Reforma continua andando, porém com um pouco de atraso na data final de aprovação e com uma economia um pouco menor do que o esperado. No dia 24/9 foi aprovada a reforma na CCJ do Senado e seguiu para votação no Senado e foi aprovada em 1º turno no dia 1/10. Inicialmente o Governo gostaria de obter uma economia de R$ 1,23 trilhão em 10 anos; saiu da Câmara com R$ 933,5 bilhões e deverá ser aprovada no Senado com R$ 800,3 bilhões. Entretanto Tasso Jereissati garante que na PEC paralela, o Governo recuperará parte destas perdas que ocorreram entre a tramitação na Câmara e Senado, além de economia em torno de R$ 350 bilhões com a inclusão de Estados e Municípios.

Na parte externa, também não houve grandes mudanças em relação a Guerra Comercial entre EUA e China, mas já dá para se perceber que ambas economias já sentem os efeitos. O índice de confianças entre os americanos vem caindo, o que sugerem uma possível recessão a vista e uma desaceleração na atividade econômica chinesa. Trump decidiu amenizar um pouco o aumento de imposto em relação aos produtos chineses, alguns itens tiveram suas taxações revistas para baixo.

O FED cortou mais 0.25% nos juros americanos, o que já estava precificado pelo mercado, mas com a economia americana dando sinais de exaustão no crescimento o FED poderá cortar mais 0.25%, deixando os juros próximo a zero e encerrar o ciclo ‘dovish’. Embora a economia esteja em pleno emprego, o argumento mais forte para o FED manter os juros próximo a zero eh índice de atividade industrial medido pelo ISM que vem desacelerando forte, a desaceleração da economia mundial e o dólar forte.

Na última semana de setembro a Câmara americana pode criar problema para Trump e seus planos de reeleição. Nancy Pelosi Presidente da Câmara aceitou a abertura de investigação contra Donald Trump, o que pode levar a um impeachment (neste ponto o Brasil tem bastante experiência). Acreditamos que Trump não perderá seu cargo, até porque no Senado, os Republicanos têm maioria, mas pode dificultar seu sonho para ser reeleito.

Um outro externo que causou stress nos mercados, principalmente no preço do petróleo, foi o ataque terrorista feito por um drone na maior refinaria de petróleo do mundo, a Aramco na Arábia Saudita. Um grupo do Iêmen, ligado ao Ira, assumiu a autoria deste ataque, justo quando o Irã e os EUA tentam uma aproximação. Logo após os ataques, o petróleo teve a maior valorização em 1 dia deste 1990, na época da Guerra do Golfo. A alta do petróleo durou pouco pois a Arábia Saudita anunciou que todos os esforços seriam feitos para reparar a produção do mesmo.

Estamos otimistas com a economia brasileira, com a retomada do crescimento neste último trimestre do ano, os juros nominais mais baixo das últimas décadas e sem pressão inflacionaria, continuamos apostando na valorização do Ibovespa. Se o FED trouxer os juros americanos para próximo de zero na última reunião do ano, o Real poderá apreciar-se para os níveis de R$ 3.90 no final do ano.

Empresas

IPOs: Até setembro/2019, o número de ofertas de ações no mercado atingiu o montante de R$ 53 bilhões (IRB Brasil, Br Distribuidora, Petrobras, Neoenergia, CPFL Energia, NotreDame, Hapvida, BTG Pactual, Light, Localiza, Banco Inter, Linx, Eneva, Totvs, Movida, BurguerKing, Centauro, Tecnisa). Apesar dos investidores estrangeiros apresentarem saída líquida de recursos na bolsa, os investidores estrangeiros estavam presentes na maioria dessas operações. Estima-se que existam mais R$ 25 bilhões em 14 ofertas que estão em estudo. Conforme notícias de 11/09/2019, segue relação de algumas empresas: Vivara, C&A, Kallas, Banco Original, Saber, Caixa Seguridade, Cedae, Agibank, Cyrela Commercial Properties, Even, Trisul, Banco do Brasil, Banco Pan, Sinqia, Banrisul, Copel, Cemig, XP Investimentos, Rede DÒr, Tok&Stok, Madero, Ebanx, Bonsucesso, Smartfit, Gasmig, Caixa Cartões, Carrefour Brasil, etc…Logicamente, várias empresas desta lista conseguirão fazer somente a oferta em 2020. O mercado promete muita agitação.

Banco Inter: Informou ao mercado que o conglomerado japonês, o Softbank, subscreveu no follow on aproximadamente 8,4% do capital, entretanto, já aumentou sua participação para 14,94%. Com a forte alta, os múltiplos estão extremamente elevados.

Eletrobrás: Tudo indica que o modelo que será encaminhado para o Congresso Nacional será de capitalização. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, mencionou que neste momento, não existe voto suficiente para aprovar a privatização da Eletrobras, entretanto, o Ministro das Minas e Energia, Bento Albuquerque, está encaminhando o Projeto de Lei ao Congresso para avaliação. Tudo indica que a privatização da Eletrobras se dará somente me 2020.

Gol: A Delta Air Lines possui 9,4% da Gol, entretanto, deverá se desfazer dessa participação nos próximos meses, pois a Delta está adquirindo 20% da Latam Air Lines pelo preço de US$ 16/ação totalizando US$ 1,9 bilhão com prêmio de 77% pela média da cotação dos últimos 30 dias. A Gol atingiu o preço de R$ 44,60/ação e atingiu a mínima de R$ 30,70, com as notícias da Delta e também, pela pressão na cotação do dólar no mês de setembro.

JBS: O valor de mercado da companhia pode subir de patamar. O IPO da companhia nos EUA pode trazer alguns bilhões. Essa decisão de abrir o capital nos EUA foi resgatada, já que a empresa pretende crescer através de novas aquisições. Estudos do mercado indicam que EV/Ebitda da companhia está abaixo de 6,5x, enquanto a sua maior concorrente Tyson Foods está 9,2x. (Hormel Foods = 15,9x, Sanderson Farms = 7,5x e Maple Leaf Foods = 10,2x).

 Klabin: A empresa adquiriu a fábrica de papelão ondulado da Heineken no Ceará. Os investimentos iniciais serão de R$ 48 milhões, referente a aquisição das instalações e equipamentos. No momento, não sabemos ainda qual será a produção, segundo o mercado estima-se que o investimento total será próximo de R$ 500 milhões. Esta aquisição deve-se ao grande consumo de caixas de papelão para armazenar/transportar frutas.

Nadir Figueiredo: Empresa de capital aberto, após 107 anos, sem sucessão, o controlador alienou 97,64% para a HIG Capital por R$ 836 milhões. No início de outubro, com baixíssima liquidez, a empresa estava avaliada em R$ 950 milhões na bolsa. Apesar de ser uma empresa de capital aberto, grande parte das ações estavam nas mãos do controlador; nos próximos anos podemos aguardar a volta efetiva da companhia, quem sabe com melhora na liquidez.

Oi: A Golden Tree Asset Management enviou carta para o Conselho de Administração defendendo a substituição do presidente Enrico Teles. Está previsto a sua saída em dezembro/2019. O Diretor de Operações, Rodrigo Abreu (membro do Conselho de Administração e ex-presidente da Tim no Brasil), é o nome indicado para assumir o cargo. Existem várias notícias no mercado: venda de ativos em partes e um novo aumento de capital para fazer frente às suas necessidades de investimentos.

Petrobras: A companhia pretende distribuir dividendos trimestrais conforme fluxo de caixa gerado ao longo dos meses. Acreditamos que será possível, através da produção que atinge acima dos 3 milhões de barris, venda de ativos e consequentemente, com a redução da dívida e também, pela redução de custo de pessoal (hoje pode se dizer que é a despesa mais cara que atingiu em 2018 R$ 32,8 bilhões), através do Programa de PDV anunciado recentemente. Segundo dados da ANP – Agência Nacional do Petróleo, o leilão da cessão onerosa, a princípio, está marcado para o dia 6/11/2019 com 14 empresas habilitadas. 1 – BP Energy do Brasil Ltda. 2 – Chevron Brasil Óleo e Gás Ltda. 3 – CNODC Brasil Petróleo e Gás Ltda. 4 – CNOOC Petroleum Brasil Ltda. 5 – Ecopetrol Óleo e Gás do Brasil Ltda. 6 – Equinor Brasil Energia Ltda. 7 – ExxonMobil Exploração Brasil Ltda. 8 – Petrogal Brasil S.A. 9 – Petrobras 10 – Petronas Petróleo Brasil Ltda. 11 – QPI Brasil Petróleo Ltda. 12 – Shell Brasil Petróleo Ltda. 13 – Total E&P do Brasil Ltda. 14 – Wintershall DEA do Brasil Exploração e Produção Ltda. Nós somos otimistas com a Petrobras para os próximos meses.

Via Varejo: Com a volta de Michael Kein na companhia, informou ao mercado que todos os ajustes terminarão no 1T2020. Do total de 1066 lojas, 36 são deficitárias. As lojas estão sendo avaliadas, caso não tenha retorno positivo, as lojas deficitárias serão encerradas. Atualmente, as lojas já estão integradas no varejo on line, onde possui 30 milhões de clientes cadastrados. Na reestruturação com o Pão de Açúcar, as operações on line da Casas Bahia, Ponto Frio e Extra.com ficaram com a Via Varejo. Agora seu controlador estuda a venda do Extra.com, cuja avaliação está em andamento. Ainda, já anunciado anteriormente, haverá aporte de R$ 300 bilhões com a criação do banco digital, banQi, cuja controladora é a americana Airfox. Mastercard, Zurich Seguros e Cielo também serão parceiros na operação. Nossa opinião: Estimamos que a companhia deverá melhorar seus resultados no 4T2019. Será uma boa competidora no setor de consumo, Market Place e em seu banco digital.

 Vivara: IPO – Volume de R$ 1,65 bilhão até R$ 2,16 bilhões. Preço de R$ 21,17 a R$ 25,40. Valor de Mercado entre R$ 5 a R$ 6 bilhões. No início de outubro, comenta-se que a demanda estava em 5x a oferta.

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