Palavras do Gestor


A bolsa encerrou o mês de dezembro, pelo 4º mês consecutivo em alta de 6,85% a 116.645 pts,
acumulando no ano, ganho de 31,58%. Pelo 4º ano, também consecutivo de ganhos, 2019 só
ficando atrás de 2.016 com uma valorização de 38,94%, ano do impeachment da ex-presidente
Dilma Roussef.
Entre 2.016 a 2.018, a política econômica do governo Michel Temer mudou em relação a política
do PT e 2.019 foi consolidada com o governo de Jair Bolsonaro e a equipe econômica de Paulo
Guedes. O ano de 2.019 foi um ano de muita volatilidade, começando com janeiro muito forte,
enfraquecendo-se com as incertezas da aprovação da Reforma da Previdência nos meses
seguintes e voltando a tomar força no final do ano. O tão esperado rali de Dezembro, veio nas
últimas duas semanas do ano.
Os setores de incorporação/construção civil, varejo e bens de consumo, foram os setores que
contribuíram para este rali. Com a queda dos juros atingindo o nível mais baixo desde a criação
do COPOM, as ações dos bancos tradicionais sofreram, com exceção do banco digital Inter, que
subiu mais de 150%. Na última reunião do COPOM, o Banco Central reduziu mais 0,50%,
deixando a Taxa Selic em 4,50% a.a.
Nós acreditamos que o COPOM encerrou o ciclo de baixa, já algumas outras instituições
financeiras acreditam em mais um corte de 0,25% em fevereiro/20 para encerrar o ciclo.
A possibilidade de um acordo comercial entre Estados Unidos X China parece cada vez mais
próximo, tirando a pressão pessimista do comercio internacional. Apesar dos estrangeiros
retirarem U$44,8 bilhões do Brasil no ano passado, maior valor já retirado anteriormente, os
fundamentos do país estão bons, tanto é que parte destes resgates foi pela baixa atratividade
dos juros brasileiros.
Em dezembro o dólar bateu o pico de R$4,2586 para fechar a R$4,0129, uma queda de 4,58%
no mês, mas acumulando um ganho de 4,02% no ano.
A inflação calculada pelo IGPM encerrou o último mês com alta de 2,09%, acumulando no ano
7,30%. Esta alta pode ser considerada pontual, não assustando o Governo, sendo reflexo da alta
dos preços da carne.
O IPCA que deverá ser divulgado no início de janeiro e é previsto uma alta em torno de 1%,
levando o acumulado do ano para 4,20%, ainda assim abaixo da meta.

Abaixo nossas estimativas para 2.019 e seus valores efetivos (como podem observar, ficamos
muito próximos da realidade) e nossa projeção para 2.020.

Setores/Empresas para 2020
Petrobras – A ações da companhia estão bastante defasadas em função da sua elevada
dívida deixada pelo governo anterior. A reestruturação da dívida, que deu início em 2019,
deverá continuar em 2020, através da venda de vários ativos. Seu múltiplo ev/ebitda
está abaixo de 6x, número que consideramos atrativo. Preço do Petróleo – expectativa
acima de US$ 60/barril em 2020.

Vale – Os dados de produção e vendas continuam satisfatórios e o preço de minério de
ferro na faixa de US$ 94/t, pode garantir uma elevada geração de caixa. Assim, seus
dividendos poderão continuar crescentes.

Setores: Nossa aposta continuam para os seguintes setores: Agronegócios (demanda
crescente no mundo, sendo que a safra será crescente no Brasil), Consumo (a baixa
taxa de juros, economia crescente e desemprego decrescente, o consumo tende a
melhorar em diversos setores), Energia (esperamos muitas notícias de privatização) e
Saneamento (Novo Marco Regulatório). Além disso, foi anunciado R$ 200 bilhões em
novas operações em 2020. Com certeza, teremos muitas oportunidades.

Informações Complementares – Empresas
ABPO: Associação Brasileira de Papelão Ondulado – as vendas de embalagens indicam
que em novembro/2019 encerraram com volume de 322.595 mil toneladas, ficando com
aumento de 4,15% frente ao mês de novembro/2018. No acumulado até nov/2019 em
relação nov/2018, o aumento foi de 1,11%.

Banco Votorantim: Estuda-se IPO para o 1º trimestre 2020.

BNDES: Estima-se que o Banco realizará a venda de R$ 38,8 bilhões em ações em 2020. Dentre
algumas empresas, temos a JBS (R$ 8 bi), Petrobras (R$ 24 bi), Copel (R$ 8 bi) e Tupy (R$ 800
mi). Segundo dados do jornal Valor Econômico, o BNDES deverá reduzir a sua posição de R$
120 bilhões para próximo de zero nos próximos 3 anos.
Braskem: Apesar dos problemas da companhia em Maceió, a empresa anunciou
dividendo mínimo de R$ 667 milhões, cujo pagamento será feito em 30 de
dezembro/2019.

Fras-Le: Empresa do Grupo Randon, mas de capital aberto, anunciou a compra da
Nakata Automóveis por R$ 457 milhões com aumento da receita em R$ 500
milhões/ano. A Nakata atua no mercado de reposição de peças da linha leve. Esta é a
6º aquisição desde 2017.

Hypera: A empresa anunciou oferta de compra pela família Buscopan no valor de R$ 1,3 bilhão,
cuja receita anual gira em torno de R$ 300 milhões. Este valor é muito acima da avaliação feita
por terceiros. Ainda não sabemos se a oferta será aprovada, já que a Sanofi possui direito de
preferência desde 2017. Antes deste anúncio, a empresa captou R$ 600 milhões através da
emissão de debêntures.

JBS: Com R$ 200 bilhões de faturamento, a empresa fez o anúncio de dobrar o tamanho da
capacidade de produção da Seara (frangos, suínos e alimentos processados). Serão investidos
R$ 8 bilhões com recursos próprios em 5 anos; até setembro/2019, a geração de caixa livre da
companhia foi ao redor de R$ 8,3 bilhões. A Seara faturou R$ 19 bilhões nos últimos 12 meses,
podendo faturar mais de R$ 40 bilhões após os investimentos.
Leilão Cepacs: Em dezembro/2019, a Prefeitura de São Paulo realizou leilão de 93 mil m2.
Alguns títulos com preço inicial de R$ 6.531 foram leiloados com ágio de 169%, saindo ao preço
de R$ 17.601. Segundo dados do secretário de Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de são
Paulo, este interesse faz parte do forte potencial por parte das construtoras, já que os leilões
foram em regiões com menor nível de estoques. As empresas de capital aberto serão
beneficiadas, como por exemplo, a JHSF. Em março/2020, já está programado um novo leilão
com 67 mil m2.

Petrobras: No 2º semestre de 2020 planeja fazer o IPO da Gaspetro. A Petrobras
possui participação em 19 distribuidoras de gás natural no Brasil. Neste investimento,
possui parceria com a Mitsui, onde a participação da Petrobras é de 51%. Será um IPO
com boa demanda, já que a empresa em 2018 faturou R$ 417 milhões com lucro líquido
de R$ 271 milhões. Além disso, estuda a venda da Braskem para os próximos 12 meses,
cuja participação é de 47% do capital total. A Petrobras já está conversando com a
Odebrecht, que é sua parceira neste investimento. Com vários desinvestimentos,
redução da dívida e a manutenção da atual geração de caixa, a Petrobras será um
grande papel para 2020, desde que o Governo Federal não utilize a empresa como
forma de controle da inflação.

Petrobras BRDT: Em 2020, a Petrobras já sinaliza uma nova venda de participação da
BRDT3. A sua posição foi reduzida de 71,25% de participação para 37,5%.
Setor de Saúde: Setor bateu recorde em fusões e aquisições desde 2019. O que
pudemos notar que as empresas com recentes aberturas de capital em 2018/2019 foram
as mais ativas. Sendo a Intermédica, Hapvida, Fleury e Dasa. Dados de 2018, indicam
que no Brasil 47,2 milhões pessoas possuem planos de saúde; as empresas de saúde
no país faturam R$ 192 bilhões.

Tupy: Adquiriu 100% da fundição de ferro da Teksid da Fiat Chryler pelo valor
aproximado de R$ 1 bilhão. Empresa com receita líquida de EUR 526 milhões em 2018
com 6.000 funcionários. O preço de aquisição representou 4,9 x o Ebitda. Acreditamos
que a Tupy fez uma boa aquisição, com o anúncio, as suas ações subiram 27% em
dezembro.
Vendas de Natal: Segundo dados da Alshop, os primeiros indicadores das vendas de
Natal apresentaram alta de 9,5%, ficando muito acima dos últimos anos. 2019 só ficou
abaixo da taxa de crescimento de 2010 de 10%.

Via Varejo: Após denúncia e verificação, foi encontrada uma fraude contábil de R$ 1,4
milhão. Sendo o impacto no Patrimônio Líquido de R$ 800 milhões a R$ 900 milhões,
cujo impacto no resultado deverá ficar muito próximo desse valor.
Haverá ainda, benefício de créditos fiscais da ordem de R$ 600 milhões referentes a
PIS/COFINS e ICMS; outros R$ 272 milhões de créditos de Imposto de renda.
Na reunião Day da companhia, foram divulgados investimentos de até R$ 800 milhões
para a abertura de até 90 novas lojas. Segundo fontes não identificadas da imprensa, a
companhia pretende fazer uma oferta de ações para captar R$ 2 bilhões para fazer
frente aos novos negócios. Obs: Consideramos que a Via Varejo está direcionando para
ser uma grande competidora nacional na área de consumo, quer no que tange venda
nas lojas, Market Place, B2B e no Banco Digital – banQi. Lembramos que o grupo possui
87 milhões de cadastros, sendo 22 milhões ativos nos últimos 12 meses.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *