Palavras do Gestor


O ano começou embalado pelo ‘rally’ do final de dezembro de 2019. Os 2 primeiros dias de janeiro foram de alegria; bolsa para cima e dólar para baixo. Entretanto a alegria durou pouco, Trump autorizou um ataque via drone, contra o General iraniano Suleimani, o matando em solo iraquiano. Este atentado, azedou o bom humor dos investidores, deixando os mercados internacionais apreensivos. No mesmo instante o petróleo subiu, ouro subiu, o dólar se valorizou frente as outras moedas e os mercados caíram, aguardando um desenrolar da situação. Os mais pessimistas apostaram numa guerra. Trump foi enfático, em caso de revide, os EUA iriam aniquilar os iranianos. O que se observou nos dias posteriores, foram misseis iranianos lançados contra bases militares americanas no Iraque, porém sem baixas americanas. Mas infelizmente por um erro iraniano, um dos misseis derrubou um avião ucraniano matando 176 pessoas, entre iranianos, ucranianos, canadenses, suecos e britânicos.

O Ibovespa não passou incólume por esta situação. Quando alguns setores começaram a apresentar robusta valorização vinda dos setores de varejo, construção civil/incorporadoras e siderurgia, apareceu um surto de doença respiratória vinda da China por um novo tipo de vírus, o Coronavirus. Como o SARS, H1N1, Ebola, entre outros houve um ‘sell-off’ pelo mundo afora, além do pânico de uma pandemia, o medo dos investidores era de uma desaceleração do crescimento da China, afetando as outras economias mundiais, assim como o Brasil. Historicamente, depois de 6 meses todos os mercados já haviam recuperado as perdas causadas por estas epidemias.

Em janeiro, depois de Ibovespa atingir seu pico com 119.527pts, ele acabou fechando com uma desvalorização de 1,63%, a 113.760 pts. Os estrangeiros continuaram a tirar dinheiro do mercado, a B3 registrou resgates da ordem de R$19 bilhões.

O dólar que chegou a atingir a mínima no mês de R$ 4,013, reverteu a tendência de baixa para fechar com uma valorização de 5,92% a R$ 4,2695. Embora, num nível alto e testando a barreira dos R$ 4,30, o BC só está olhando, pois nestes níveis o ‘pass-through’, ainda ‘e baixo. A inflação está controlada e a atividade econômica, ainda em recuperação.

O IGPM terminou o mês com alta de 0,48%, dentro do esperado, porém mais baixa do que a de dezembro, uma vez que a carne apresentou recuo nos preços, não sendo mais a vila da história.

Nossa expectativa no final do ano era que o BC encerraria o ciclo de baixo dos juros em 4,50%, o que não se concretizou na 1ª reunião do ano do COPOM, ocorrida no início de fevereiro. Com os acontecimentos ao longo de janeiro, o COPOM por decisão unanime decidiu cortar mais 0,25% na taxa Selic, deixando-a em 4,25% e encerrando assim o ciclo de baixa. Como disseram alguns analistas, o BC fechou a porta, mas não trancou, de qualquer forma acreditamos sim que ele manterá os juros em 4,25% por um bom tempo, podendo subir no final deste ano, se a economia aquecer e a inflação der sinal de romper a meta.

A estratégia adotada para o mês de janeiro para as Carteira Administradas e os Clubes de Investimentos foram de manter as posições do final do ano e aproveitar algumas oportunidades de compra de alguns papeis que caíram muito no setor de varejo e construção civil/incorporadoras. Apesar da queda dos grandes bancos no início do mês, eles se mostraram um porto seguro com as fortes quedas dos outros papeis com o surto do Coronavirus.

Continuamos acreditando no mercado e numa recuperação ao longo dos próximos meses. Estamos fazendo algumas trocas pontuais, mas sem grandes mudanças de setor.

Setores/Empresas

Bradesco: Divulgou bom resultado no 4T19 com lucro recorrente de R$ 6,64 bilhões, acumulando R$ 25,88 bilhões em 2019, 20% acima de 2018. O retorno sobre o PL médio foi de 20,6%, sendo que no 4º trimestre ficou em 21,2%. O Bradesco anunciou o guidance de 2020, sendo que, as mudanças ficaram nas operações de Seguros, Previdência e capitalização com pequena redução e a conta PDD aumentou de R$ 11,5 a 14,5 bilhões para R$ 13,5 a R$ 16,5 bilhões. Veja abaixo:

Debêntures: E 2019, a emissão de debêntures foi recorde atingindo R$ 160 bilhões. Para 2020, existem mais de 50 ofertas em análise na CVM – Comissão de Valores Mobiliários.

B2W: Controladora das Lojas Americanas, Submarino e o Shoptime, adquiriu a SuperNow, empresa on-line de alimentos do país. A SuperNow possui 30 lojas hospedadas de operações médias, como a Natural da Terra, Lopes Supermercados, Hirota, etc… Os concorrentes da SuperNow são o shopper.com, Mercado Fresh e a Home Reill. A aquisição foi feita visando a carteira de clientes, além do know how.

Kepler Weber: Empresa fabricante de silos agrícolas, com valor de mercado de R$ 800 milhões. A partir de outubro de 2018, a gestora Tarpon adquiriu 5% do capital da companhia, atualmente já possui 25,50%, com a saída do fundo de pensão do Banco do Brasil – Previ. O BB Investimentos ainda possui 17,5% do capital da Kepler, entretanto, nos próximos anos poderá também sair desta participação.

Lançamentos de Imóveis: Segundo dados da Secovi-SP, nos 12 meses acumulados até novembro/2019, as vendas residenciais na capital paulista aumentaram 48,6% com 44.134 unidades, frente a um lançamento de 53.545 unidades. Para 2020, a Secovi estima crescimento de 10% nos lançamentos e 5% nas vendas.

LATAM: A Delta Airlines adquiriu 20% da Latam pelo valor de US$ 16/ação totalizando US$ 1,9 bilhão. A oferta de aquisição de ações, a família Cueto, fundadora da LAN reduziu sua participação de 26,24% para 20,1%. A família Amaro, fundador da Tam possui ainda 2,6% das ações da companhia.

Leilão: Em 08/01/2020, a gestora Pátria e o fundo soberano de Cingapura GIC venceram no leilão de Pipa – corredor rodoviário Piracicaba – Panorama. A concessão será por 30 anos. O consórcio ofereceu pela outorga R$ 1,1 bilhão ao governo de São Paulo. A concorrente Ecorodovias ofereceu R$ 527 milhões. A CCR não fez nenhuma oferta. A Arteris era a favorita para este leilão, mas não participou do leilão.

Outback: A Burger King e a Vinci Partners estão estudando a aquisição da rede de restaurantes Outback no Brasil. A Vinci já é dona da pizzaria Domino´s e do laboratório Cura. A Vinci possui caixa de R$ 2,8 bilhões e captou R$ 4 bilhões em 2019.  A IMC está à procura de um sócio estratégico para estar na lista de compradores.

Petrobras: (1) Em 2019, a Petrobras vendeu 90% da TAG para Engie e o fundo de pensão canadense Caisse de Cépôt et Placement du Quebec (CDPQ) pelo montante de R$ 33,5 bilhões. Agora o restante dos 10% serão vendidos nos próximos meses, participação que pode valer R$ 3,35 bilhões. (2) Em janeiro/2020, o BNDES está reduzindo sua participação nas ações Ordinárias da companhia. A oferta subsequente (follow on) será no montante próximo de R$ 20 bilhões. Até o dia 04/02/2020, a demanda estava em 3x o book.

Qualicorp: O fundador da companhia, José Serpieri, conhecido como Junior, após sair da companhia, está voltando com a aquisição da operadora QSaúde, criada em outubro de 2018. A empresa deverá entrar em operação nos próximos meses. A legislação não permite que a Qualicorp seja controladora de planos de saúde, para isso, Junior realizou um leilão de venda das suas ações na Qualicorp no montante próximo de R$ 900 milhões.

Safra de Milho: As fortes chuvas na região centro-oeste estão preocupando a possibilidade de retardar a safrinha de milho, já que está havendo um atraso na colheita de soja. As próximas semanas serão cruciais. Esse atraso pode levar custos adicionais ao setor de agroindústria. Em janeiro/2019, o preço da saca de milho estava em R$ 22,36 e em janeiro/2020 já estava em R$ 36,94

XP: Dados preliminares do 4º trimestre/2019, o total de ativos em custódia subiu aumentou 103% em relação ao mesmo período de 2018. Em relação ao 3º trimestre/2019, o aumento foi de 17%.

 

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