Palavras do Gestor


Palavras do Gestor – Fevereiro 2020

O Ibovespa fechou fevereiro com uma desvalorização de 8,43%, acumulando neste ano, uma perda de 9,92%. Depois de 4 altas mensais consecutivas no final de 2019, estamos amargando duas baixas consecutivas em 2020. O Ibovespa atingiu a cotação máxima em 24/01 a 119.593 pts. durante o pregão e fechou fevereiro com 104.171pts, uma perda de 12,90%. O Coronavírus foi o grande responsável por esta queda toda e a disparada do dólar.

O dólar comercial terminou o mês com uma valorização de 5,37% a R$ 4,4987, acumulando no ano um ganho de 11,61%. O investidor estrangeiro continuou tirando dinheiro da Bolsa, o acumulado no mês ficou negativo em R$ 20,971 bilhões pelo segundo mês consecutivo, no ano o saldo é de R$ 40,129 bilhões.

O Coronavírus tem assustado a população mundial e principalmente os investidores, posso dizer que existe uma histeria coletiva. Na verdade, é muito mais o medo do desconhecido do que a doença propriamente dita, pois a doença é apenas uma gripe, mas o medo de contágio e a falta de uma vacina acabaram gerando este pânico mundial.

O que aconteceu nos mercados durante e pós Carnaval, eu consideraria como um ‘Cisne Negro’, termo este usado pelo escritor libanês Nassim Taleb, para se referir a um evento muito pouco provável de acontecer, causando um impacto enorme. O que sabemos deste vírus, é que ele tem um alto poder de disseminação e inicialmente o índice de mortalidade na China, lugar da descoberta deste vírus, foi grande. Com o aumento dos casos, o índice de mortalidade está voltando para média aceitável em outras pandemias (em torno de 1.5%). Se no final do mês passado, havia um receio de uma pandemia, hoje esta pandemia existe e não é por isto que está ocorrendo um caos. A grande preocupação das economias é quanto será impactado o PIB deste ano, acreditamos que o 1º semestre será comprometido, mas haverá uma retomada no 2º semestre, pois o mundo não está em recessão. A exceptiva é uma redução de crescimento este ano nos EUA em torno de 0,20 bp, China 0,40 bp e Brasil 0,4 bp.

Os Bancos Centrais da China e dos Estados Unidos estão dando liquidez para o mercado e já reduziram os juros básicos. Aqui no Brasil, o BC sinalizou que poderá cortar mais 0,25% na próxima reunião do dia 18/03. No mês passado, o BC reduziu a alíquota dos depósitos compulsórios dos bancos, liberando aproximadamente R$ 45 bilhões na economia, com efeito a partir de 16/03.

A Inflação medida pelo IGPM apresentou uma deflação de 0,04% e acumula uma variação positiva de 0,44% no ano. A carne que foi a grande vilã em 2019, agora ajuda a puxar a inflação para baixo. O IPCA deverá ser positivo, mas bem próximo de zero. A alta do câmbio não está afetando a inflação, a área econômica ainda não sentiu um repasse para a economia. Desta maneira, poderá haver mais um corte de 0,25% na Selic, na próxima reunião do COPOM em 18/3, por conta do Coronavirus que está afetando as economias mundiais e poderá refletir na nossa, como comentamos acima.

Governo e Congresso continuaram medindo forças. Bolsonaro encaminhou os vetos do orçamento impositivo para ser votado no Congresso. Antes da votação na Câmara, Bolsonaro negociou com o presidente do senado David Alcolumbre e este negociaria com a Câmara que seria vetado um valor em torno de R$ 30 bilhões. Rodrigo Maia, presidente da Câmara aceitou a negociação com os demais deputados e será votado na 2ª semana de marco, sem precisar passar pelo Senado. Depois de muita briga, o Governo ganhará mais uma queda de braço.

As reformas tributária e administrativa prometidas para 2019, estão começando a andar, embora a passos de tartaruga. Na reforma tributária, onde o consenso é a criação do IVA, unificando vários impostos, entre eles. PIS e COFINS, Paulo Guedes disse à imprensa que o texto proposto seria enviado em meados de março ao Congresso. Já na reforma administrativa, a parte polemica era a estabilidade dos atuais servidores públicos, mas Bolsonaro foi categórico em afirmar que não mexeria na estabilidade dos atuais, somente alteraria dos que entrarem após a aprovação desta reforma.

As carteiras e clubes sofreram um pouco menos em fevereiro, com a queda dos mercados internacionais por conta do Coronavírus. As ações dos bancos Bradesco e Itaú que foram as ‘vilas’ em janeiro puxando a rentabilidade para baixo, em fevereiro se tornaram os ‘mocinhos’ pois caíram bem menos que as outras ações do Ibovespa. Embora o mundo esteja em pânico, recomendamos muita cautela e serenidade neste momento. Como todas a outras crises, nossa estratégia é ficar quieto, esperando a poeira abaixar para depois reformular as estratégias com tranquilidade. Notamos que teremos boas oportunidades no futuro, tanto para aumentar posição como para troca de papeis que caíram mais que outros. Estamos monitorando diariamente as notícias dos mercados e do Coronavírus pelo Brasil e pelo mundo.

Informações das Empresas

Carrefour: Negociou a compra das operações do Makro no Brasil, terceiro maior atacadista do país com vendas de R$ 8 bilhões e mais de 70 unidades. O valor pago foi de R$ 1,95 bilhão. O Makro possui 22 unidades próprias e oito alugadas espalhadas em 14 estados. Com a aquisição, o Carrefour no Brasil atingirá faturamento bruto anual de R$ 65 bilhões.

Celulose Irani – Empresa fabricante de embalagens de papelão ondulado. A Irani é uma empresa de capital aberto desde 1977. A empresa estuda mudar de nome e migrar para o segmento do Novo Mercado. O BTG Pactual, Credit Suisse e a XP Investimentos foram contratados para estruturar a oferta primária. Após a oferta a Irani estima investir R$ 1 bilhão em seu plano de expansão.  Comenta-se que o setor passará por nova fase de fusão e aquisição.

China: Executivos chineses do setor de energia projetam queda de consumo de petróleo no mês de fevereiro de 25%, por conta do surto de coronavírus, que tem forçado a paralisação das viagens que mostra uma movimentação com queda de 70% e na movimentação de carga queda em torno de 50%.

IRB: A empresa de Resseguros perdeu em fevereiro R$ 13,7 bilhões do seu valor de mercado, após a Squadra denunciar irregularidades nos números contábeis da companhia. Para isso, a IRB através de duas empresas de auditorias abriu todas as contas possíveis. Entretanto, no dia 28/02/2020, o Presidente do Conselheiro de Administração, Ivan Monteiro, renunciou ao cargo. Com outros problemas envolvendo o CEO e o CFO, o Conselho de Administração achou por bem renovar os cargos. Para CFO foi contratado o Werner Suffert, que veio da BB Seguridade, o CEO está em vias de ser contratado. Mesmo com as últimas medidas, as ações continuam sofrendo.

Marfrig: As exportações da companhia já representam 60% do total do faturamento, assim, a Marfrig Global Foods pensa em abrir o capital do grupo nos EUA, porém ainda sem prazo para isso.

Mitre Realty Empreendimentos e Participações: Realizou Oferta Pública (IPO) com a captação de R$ 1,052 bilhão, sendo R$ 958,7 milhões na oferta primária e R$ 94 milhões na oferta secundária. O preço ficou em R$ 19,30/ação.

Moura Dubeux: Construtora e incorporadora com sede em Recife, realizou seu IPO ao preço de R$ 19,00/ação e levantou R$ 1,25 bilhão.

Petrobras: O BNDES reduziu sua posição nas ações da Petrobras. O preço da operação ficou em R$ 30,00/ação para as ações ordinárias, ficando com desconto de 1,57% sobre o preço estipulado. Se considerado o lote adicional, o BNDES terá levantado aproximadamente R$ 22 bilhões. Segundo dados da companhia, o varejo representou próximo de 16%.

Petrobras – Refinarias: As ofertas para as primeiras refinarias do Programa de Investimentos foram adiadas para o mês de abril/2020 (data anterior 06/03/2020). O adiamento deve-se à entrada de novos participantes, que estão discutindo as possíveis associações. No primeiro bloco estão as refinarias de Abreu e Lima (PE), Landul´hoAlves (BA), Presidente Getúlio Vargas (PR) e Alberto Pascqualini (RGS). As quatro refinarias fazem parte do plano de desinvestimento do total de oito refinarias que possuem capacidade de 1,1 milhão de barris/dia de petróleo. Segundo dados do UBS, o valor estimado para as 8 refinarias é entre US$ 10 a US$ 12 bilhões.

Saneamento Básico: O BNDES vai coordenar os leilões de concessão de serviços de saneamento de quatro Estados: Acre, Amapá, Alagoas e Rio de Janeiro. Além disso, Parceria Público Privada (PPP) no Rio Grande do Sul e a concessão do serviço de água e esgoto de Porto Alegre. Todos esses projetos demandarão investimentos de R$ 40 bilhões. Até o momento o maior investimento será da Cedae (governo fluminense) de R$ 32,5 bilhões. Neste momento, o ponto crucial, é a aprovação da modelagem da concessão. O BNDES possui R$ 200 bilhões para o financiamento do setor de infraestrutura, sendo que deste total, R$ 42 bilhões serão para o setor de saneamento.

SEB – Adquiriu 70% do conglomerado da operação da Maple Bear, os 30% restantes ficarão com o fundador e presidente da rede, Rodney Briggs. A Maple Bear possui 458 escolas em 20 países e contam com 40 mil alunos. Desse total, somente no Brasil possuem 30 mil alunos e 145 escolas. Estima-se que em 2020 termine com até 55 mil alunos. O presidente do Grupo Seb, Chaim Zaher, estima para 2023, no mínimo 300 mil alunos. O valor da aquisição não foi divulgado.

Vale: A empresa divulgou prejuízo de R$ 6,7 bilhões, inclusive com novas provisões no 4T19, ficando abaixo das estimativas de mercado. Em 2019, as despesas provisionadas com a barragem de Brumadinho ficaram em R$ 28,8 bilhões. Esses valores, ainda, podem ser alterados ao longo dos meses. Apesar de fatores negativos, nossa visão é de compra para os papeis, já que a China continuará demandando minério de ferro a preços satisfatórios. Sua geração de caixa será crescente com o aumento da produção ao longo dos anos.

 

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