Palavras do Gestor – Abril 2020


O mês de abril, foi um pouco melhor para os mercados de renda variável, não só no Brasil como no resto do mundo, porém não menos volátil. Podemos dizer que foi uma correção técnica, depois dos mercados terem caído fortemente no mês de março. O Ibovespa valorizou 10,25% no mês, diminuindo a perda anual para 30,39%. Depois de atingir a cotação máxima de 119.528 pts em 23/1 e a mínima de 61.691 pts em 19/3, o Ibovespa apresentou uma oscilação negativa de 48,38%, em dois meses, entrando assim em ‘bear market’. Em abril o índice fechou a 80.505 pts, recuperando parte das perdas, porém é cedo para dizer quando o mercado vai recuperar estas perdas. Os investidores estrangeiros continuaram a vender ações aqui no Brasil, em abril saiu R$ 5,07 bilhões, acumulando R$ 69,4 bilhões de saída líquida no ano.

O dólar comercial terminou o mês cotado a R$ 5,4270, depois de atingir a máxima histórica de 5,6358 em 27/4. A alta do mês foi de 4,39% e no ano 34,64%. Vários fatores contribuíram para esta valorização, entre eles a pandemia e a política brasileira. Bolsonaro trocou o Ministro da Saúde, no meio da crise da pandemia; saiu Mandetta, um médico mais político e entrou Nelson Teich, um médico mais técnico. Moro, um dos Ministros mais populares e bem avaliados do governo, decidiu sair e saiu atirando, gerando mais incertezas políticas. O mercado comprou a ideia que o próximo a sair, poderia ser Guedes, porém Bolsonaro reagiu as especulações, dizendo que não mexeria no ‘Posto Ipiranga’.

Outro fator que mexeu negativamente com o dólar foram as especulações com o futuro de barril de petróleo (WTI-maio/20) na bolsa de Nova York que venceu em 22/4. Pela 1ª vez na história, o contrato de petróleo para entrega futura, operou negativo pois o preço do contrato levava em conta o custo da entrega e armazenagem, a oscilação do ano foi da mínima de -$37,63 e a máxima $63,27, no início do ano, fechando abril em torno de $20. Já o Brent que é negociado em Londres, também caiu, mas não chegou a operar em níveis abaixo de zero, a mínima foi de $19,33, neste mesmo período que o WTI, operou negativo. O Brent terminou cotado ao redor de $26 o barril. Os preços das ações da Petrobras também sofreram neste período, mas é bom lembrar que a referência de preço usado pela Petrobras é o Brent. Depois deste caos gerado pelos mercados de petróleo a OPEP, decidiu cortar em torno de 9,8 milhões bpd para equilibrar o preço entre oferta e demanda. Se por um lado o preço do petróleo ajuda a manter a inflação baixa, o dólar poderia estar pressionando a inflação, mas não é o que está acontecendo.

A Inflação medida pelo IGPM apresentou uma variação de 0,80% no último mês, puxada pelo IPCA, ou seja, a variação se deu por conta dos preços no atacado. No ano, a variação é positiva em 2,50% e em 12 meses 6,68%. Já o IPCA que mede a inflação oficial, deverá vir novamente próximo a zero, ou uma ligeira deflação. Muito provavelmente este ano, o IPCA ficara abaixo da meta. O Banco Central, cogitava cortar entre 0,50% a 0,75% na reunião do dia 6/5, que acabou se confirmando em corte de 0,75% e deixou a porta aberta para mais um corte de 0,75% na próxima  reunião do COPOM em 17 de junho, caso a economia esteja muito fraca, em função da pandemia do Coronavirus.

Nos Estados Unidos, o mercado reagiu positivamente com a indicação de BIDEN, vice presidente de OBAMA para ser o candidato a disputar as eleições com TRUMP, pelo partido Democrata. BIDEN é visto mais ao centro do que os outros candidatos que disputavam a indicação pelo partido Democrata. Na última reunião do FED em 29/4, eles confirmaram os juros, FED Funds entre 0 a 0,25% aa, a economia ainda está muito fraca e também é cedo para qualquer previsão, mas TRUMP está fazendo de tudo para segurar a economia americana, uma vez que este estrago já é comparado à crise de 1929.

Em relação ao mercado acionário brasileiro, estamos cautelosos, não fizemos grandes modificações em relação a carteira do final de março. Os setores exportadores de proteína animal, minério e papel e celulose, tiveram uma boa performance em função do dólar alto e da China ter voltado a funcionar normalmente. Além destes setores, os de varejo com presença forte no e-commerce e alimentos também apresentaram boa performance no mês passado. Acreditamos que o mercado continuará com a volatilidade alta, vemos boas oportunidades, mas com bons retornos somente a médio e longo prazo.

Informações das Empresas

 Observação: Os resultados divulgados do 1T20 contemplam somente 15 dias de março com as notícias do covid-19, bem como o início do isolamento. Os resultados do 2T20 serão muito mais afetados, pois com o isolamento, grande parte das companhias ficaram paradas, com exceção daquelas que possuem e-commerce, Market Place, B2B. Além disso, as empresas de alimentos também continuaram abastecendo as redes de supermercados, entretanto, houve redução de volumes e preços no mercado interno e externo.

Aço: Segundo dados da Aço Brasil, com a pandemia, o nível de capacidade instalada das empresas está próximo de 41%, muito abaixo dos 62% que estavam no início deste ano. As vendas internas de aço no mês de abril serão 50% abaixo do mês de março. A estimativa para o 2T20 é de queda de 40% em relação ao 1T20. A inadimplência já atinge 20% dos clientes e outros postergando os pagamentos por 180 dias. Segundo dados da Aços Brasil, a Petrobras está impondo postergação de entregas e pagamentos para o início de 2021.

Bancos: No mês de abril, com o sério problema de liquidez que instaurou em todos os mercados, o nível de inadimplência aumentou drasticamente. Conforme dados divulgados, antes do covid-19, a inadimplência do cheque especial representava 15,5% da carteira e as concessões cresceram 7,3% nesta linha. Entretanto, no rotativo, a inadimplência era de 36,2% e as concessões cresceram 19,3%. A taxa de juros cobrada no rotativo gira em média em torno de 226% a.a. Com todo esse cenário, os bancos estão ajudando seus clientes com pequena redução de juros, mas infinitamente superior à atual taxa Selic 3,00%. Os bancos brasileiros e do exterior estão apresentando volumosas provisões em seus balanços do 1T20. Os grandes bancos brasileiros provisionaram próximo de R$ 20 bilhões, valor 50% superior em relação ao mesmo período de 2019.

Captação: Por conta da pandemia do covid-19, as companhias brasileiras estão captando recursos no mercado para reforço de caixa. Algumas das captações: Magazine Luiza R$ 800 milhões. MRV R$ 100 milhões. BR Properties R$ 250 milhões. Banco ABC R 102 milhões. MRL Engenharia R$ 60 milhões. Rodovias Oeste R$ 430 milhões. Renner R$ 500 milhões. Ecorodovias anunciou captação de R$ 1,2 bilhão. Direcional R$ 100 milhões. EDP R$ 120 milhões. Energisa R$ 100 milhões. Comgás R$ 700 milhões. Cosan R$ 5 bilhões já captados, mais R$ 2 bilhões em fase de finalização com o BNDES. Petrobras BR em fase de captar R$ 2 bilhões.

China: A retomada da atividade econômica atinge 75% em média, mas encontra grandes dificuldades para voltar plenamente. As vendas internas estão relativamente boas, mas as exportações estão fracas. No 2T20, estima-se queda entre 25% a 60% nas exportações para os EUA e para a Europa entre 25% a 45%. Segundo dados da Consultoria do Grupo Gavekal, a Dragonomics: – “Se a China conseguir evitar uma segunda onda de casos, o estrago econômico será pior nos EUA e países da Europa” – “Há pressão pela guerra comercial para tirar cadeias de produção da China. Essa crise pode ser um motivo a mais” (as pequenas e médias empresas representam 80% do total).

Covid-19: Segundo dados do FMI, a ajuda dos bancos Centrais ao redor do mundo cresceu rapidamente para ajudar e conter possíveis problemas. Os valores somam US$ 6 trilhões.

FMI: Abaixo, estimativa do PIB pelo Fundo Monetário Internacional.

Petróleo WTI – No mês de abril, os preços caíram assustadoramente, com a queda de demanda e consequente falta de estocagem das mesmas. Em fins de abril, após atingir preços negativos, os preços recuperaram, mas ainda aquém do necessário. Para o Brasil, as margens serão apertadas. Para os EUA a utilização de xisto ficou inviável, já que seu custo é próximo de US$ 40.

 Saneamento: Após 30 dias do isolamento por conta do covid-19, as companhias estatais registraram inadimplência, em média, de 23,91%.

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