Palavras do Gestor


Há um ditado popular inglês, muito comum no mercado financeiro e também muito conhecido entre os operadores de Wall Street que diz “Sell in May and go away”. Se tivéssemos feito isto teríamos evitado o estresse que o Brasil passou no último mês. Parece que o governo sentiu na pele a tempestade perfeita, e por consequência todos os brasileiros.
O Índice Bovespa caiu 10,87%, voltando para os 76.753 pontos, depois de atingir a máxima de 87.652 pontos em 26 de fevereiro deste ano. Não foi só a bolsa que estressou, o câmbio encerrou o mês cotado a R$3,737, com uma alta de quase 13%. Os DIs também explodiram para cima, sinalizando aumento de juros num horizonte mais curto do que o mercado esperava. No mês de maio, os estrangeiros tiraram da bolsa R$ 8,433 bilhões e no acumulado do ano, saída já chega a R$ 4,012 bilhões.

O mau humor no mercado brasileiro começou no início do mês, com a moeda norte americana subindo forte, frente as principais moedas como iene, euro e libra. A economia americana se mostra forte e o grande receio é o FED promover mais 3 ajustes no ano, 2 ajustes já estão no preço. Os treasuries de 10 anos encostaram nos 3%, este número não era alcançado há 10 anos. Para piorar a cotação do Real, a Argentina precisou recorrer ao FMI pois suas reservas encontravam-se no fundo do poço. A Turquia também passou maus bocados com sua moeda, uma vez que os investidores estão perdendo a confiança em Erdogan que não quer mexer na taxa de juros, mesmo sendo extremamente necessário. Estes dois eventos acabaram por contaminar as economias dos países emergentes.

Este cenário mais delicado, fez com que o BC não reduzisse a taxa Selic de 6,50% para 6,25%, como o Ilan, presidente do BC, havia acenado uma semana antes e que todo o mercado apostava. Outro caos geral nos mercados, dólar subiu mais, bolsa caiu e DIs dispararam novamente. Embora a inflação continue controlada, pelo último boletim FOCUS, a inflação para 2018 passou de 3,60 para 3,65, ou seja, ainda dentro da meta e para 2019, inalterada em 4%. A atividade econômica permanece em ritmo gradual de recuperação, o PIB aponta para um crescimento um pouco menor, de 2,37% para 2,18% em 2018 e 3% para 2019. O cenário interno parecia muito favorável ao corte de juros, mas o ambiente externo não permitiu, assim sendo, o BC encerrou o ciclo de baixa, um dos mais longos da história, desde que o Copom foi criado, além de ter atingido o nível mais baixo, 6,50% aa.

A situação do dólar já estava ruim e o a economia patinando, o pior ainda estava por vir. No final do mês, os caminhoneiros resolveram entrar em greve, praticamente paralisando o Brasil. Eles queriam uma redução de R$ 0,46 no litro do diesel e a não cobrança do eixo suspenso pelos pedágios, além da redução do Pis/Cofins sobre o diesel. No fundo, o que eles estavam pleiteando era a mudança dos reajustes diários do preço dos combustíveis que a Petrobras vinha praticando desde 2017. O Governo não foi ágil o suficiente para evitar esta paralisação, o que o colocou de quatro frente aos caminhoneiros e todos os brasileiros, mostrando sua fragilidade e inabilidade nas negociações. No final, o Governo cedeu a todos os pontos dos manifestantes. Alguns dias depois do fim da greve Pedro Parente, presidente da Petrobras, entregou sua carta de renúncia, causando mais incertezas na empresa e no Governo, o dólar voltou a subir e a empresa caiu mais 14% naquele dia. Para seu lugar foi indicado o CFO da empresa Ivan Monteiro, funcionário desde 2015 e grande conhecedor da companhia. Resta saber agora, qual será a política de preços que a empresa praticará e se terá liberdade em suas decisões ou voltará a ser a mesma Petrobras de sempre dos Governos anteriores.

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