Palavras do Gestor


O mês de maio pode ser considerado como o deus romano Janus, o deus das mudanças e da transição. Não é a toa que ele é simbolizado por face dupla, simbolizando o passado e o futuro.

Até meados de maio, o Brasil era o pais que estava voltando a crescer, inflação, juros, dólar e desemprego caindo, as reformas em vias de serem aprovadas, mesmo a mais polemica, como a da previdência. Entretanto, no dia 17/5 foi divulgada uma gravação entre o presidente Michel Temer e Joesley Batista, controlador da JBS, ocorrida no dia 7/3, no Palácio do Jaburu, residência oficial do Presidente. Esta gravação deu inicio a uma crise sem precedentes no Palácio do Planalto, colocando em cheque o futuro do Brasil e de Temer como presidente.

No pronunciamento feito por Temer, no dia seguinte da divulgação dos áudios, ele disse “nesta semana tivemos a melhor e a pior noticia”, a melhor foi que a inflação estava caindo e batendo o piso da meta para os próximos 12 meses e a Selic projetando 8.50% no final deste ano e a pior foi a gravação, postergando a recuperação do Brasil. Neste 1º pronunciamento, Temer deixou bem claro que não renunciaria. Agora, basta saber se ele aguentará a pressão e não ficará isolado pela base governista, mas uma coisa é certa, as reformas ficarão postergadas. Além disto, há o risco da cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE. Ainda não sabemos, quanto pode pesar estes últimos acontecimentos na decisão do TSE.

No ‘day after’, as bolsas reagiram como era de se esperar, cairam 10.7% na abertura, disparando o circuit-braker, mecanismo de stop que não era acionado desde a crise dos ‘sub-primes’, nos Estados Unidos em 2008. Neste dia, a bolsa fechou com 8.80% de queda. O dólar, na ponta oposta, subiu 8.8% em apenas 1 dia, maior alta desde a alteração do câmbio fixo, para flexível em janeiro de 1999. O dólar passou de R$ 3.1076 no dia anterior para R$ 3.3807, fechando o mês a R$ 3.2437.

Se não bastassem, tudo o que os irmãos Batistas fizeram, em termos de corrupção e depois tivessem sua delação premiada negociada com a PGR e o ministro do STF Edison Fachin, eles ainda operaram como ‘insider information’, comprando dólares no dia anterior e vendendo ações ao longo das ultimas semanas. O ganho obtido foi mais do que suficiente para pagar a multa de R$ 250 milhões, estipulado no acordo de delação premiada que foi fechado com a PGR.
A bolsa fechou o mês de maio com uma queda de 4,12% aos 62.711 pts. depois de ter atingido 68.684 pts em 16/05 com um ganho de 14.04% no ano. O ganho acumulado no ano, ainda está positivo em 4.12%.

Não só o cenário interno foi responsável pela queda da bolsa. No front externo, tivemos uma forte realização das commodities, principalmente o minério de ferro que caiu quase 18.5% só no ultimo mês, impactando diretamente nas ações da Vale e das siderúrgicas, como Gerdau, CSN e Usiminas. O petróleo(Brent) chegou a subir mais de 5% no mês de maio com a expectativa de cortes da produção pela OPEP, mas reverteu a tendência e fechou com 2.3% de queda a $50.31/barril. Esta queda se deu, assim que a OPEP decidiu estender por mais tempo os cortes, além dos países não membros da OPEP estarem aumentando a produção. O petróleo tem oscilado em torno de $50, mas não consegue ultrapassar os $60. Atualmente, a Petrobras se beneficia com a alta do petróleo, uma vez que a empresa mudou sua politica de preços, tornando os muito mais realistas.

A inflação oficial pelo IPCA fechou maio com uma alta de 0.48% e o IGPM com uma deflação de 0.93%, segundo mês consecutivo de deflação. O COPOM que já se preparava para cortar 125bpt, foi obrigado a rever sua estratégia de cortes, em função da turbulência politica. A postergação das reformas e da volatilidade da moeda norte americana tiveram grande peso na decisão no dia 31/05. A decisão unanime pelo corte foi de 100bpt, trazendo a Selic para 10.25%.

Algumas trapalhadas do Palácio do Planalto para tentar salvar a pele de Temer, ao invés de beneficiá-lo e blindá-lo para continuar seu mandado, jogaram-no para o meio da lama, ou pior para o meio da areia movediça. Ao trocar o ministro da justiça, Osmar Serraglio, sem consulta-lo, pelo ministro da transparência Torquato Jardim, acabou tirando o foro do Rodrigo Loures, conhecido como o ‘homem da mala’. Se Rodrigo Loures decidir por uma delação premiada, fará algumas cabeças rolarem, inclusive a do atual presidente.

Além disso, em maio, a Maria Silvia Bastos deixou o BNDES, que será substituída pelo economista Paulo Rabello de Castro. Tudo indicava que a gestão de Maria Silvia estava na direção certa, mas a pressão para liberação de novos financiamentos a fez pedir demissão.

O mês de Junho promete ser mais um mês de grandes emoções, talvez ainda sem um fim. Só nos resta esperar. O mercado tem se comportado muito bem, o s investidores estrangeiros continuam a apostar no Brasil. Sem duvida que gostam da faxina política.

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