Palavras do Gestor


A bolsa brasileira encerrou o mês de junho com alta de 0,30% com 62.899 pontos, após atingir 60.543 pontos ao longo do mês. Os investidores estrangeiros retiraram da bolsa R$ 1,2 bilhão em consequência aos problemas políticos que envolveram o atual presidente, Michel Temer.

Do lado político, após a delação do controlador da JBS, Joesley Batista, a situação do presidente Michel Temer segue complicada. A previsão das reformas tanto Trabalhista quanto da Previdência devem sofrer  atraso pelos percalços políticos. Do lado positivo, o presidente escolheu da lista tríplice, a Raquel Dodge para substituir o Rodrigo Janot, procurador-geral da República, cuja conduta pode ser contrária ao atual procurador, favorecendo de certa forma o atual presidente Michel Temer.

No campo econômico, o Ministro Meirelles revisou o PIB para 2017 de 2,7% para 2%. Além disso, para cobrir o déficit das contas, o Ministro sinalizou a possibilidade de aumento da alíquota da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) sobre a gasolina e dos derivados de petróleo ou aumento do PIS do Cofins sobre alguns produtos.

No campo interno tivemos muitas informações vindas de companhias internas. Podemos destacar algumas:

  • A ações da Vale subiram no mês 4,34% nas preferenciais e 6,74% nas ordinárias. Esta recuperação deve-se à melhora do preço do minério de ferro e a aprovação em AGE da Vale da reestruturação societária da conversão total das ações preferenciais para as ações ordinárias.
  • Após um longo período em análise, não foi aprovada a fusão da Kroton com a Estácio pelo CADE. As ações da Estácio caíram 15,9%, mas tudo indica que existem vários outros interessados na companhia.
  • A Natura divulgou fato relevante da aquisição de 100% da The Body Shop Internacional da L’Oréal S.A pelo montante de € 1 bilhão. Esta aquisição está sujeita às aprovações regulatórias do Brasil e dos EUA. As suas ações caíram 21% desde o anúncio.
  • A Cemig decidiu pela venda da totalidade das ações da Light, cujas ações encerraram com alta de 29% no dia do anúncio.
  • O governo do Estado de São Paulo decidiu pela privatização da Cesp no 2º semestre/2017, sendo que continua pendente a renovação da concessão de suas usinas, ou seja, haverá desconto na venda de suas ações.
  • A J&F, controladora da JBS, colocou a Alpargatas, Eldorado, Vigor e o Banco Original à venda. Até o momento, a Fundo Cambuhy (braço de investimentos da família Moreira Salles), Itausa e o Gávea assinaram contrato de confidencialidade para a compra da Alpargatas. As notícias direcionam para o fechamento do negócio em duas semanas.
  • A Petrobras está mantendo o cronograma de venda de ativos no montante de US$ 21 bilhões. No caso da BR Distribuidora, hoje existe a sinalização do retorno do IPO da companhia. No último dia do mês a Petrobras reduziu o preço da gasolina em 5,9% e de 4,8% do diesel.
  • O Carrefour fará seu IPO em julho de 2017, com expectativa movimentar próximo de R$ 8 bilhões.
  • O IRB Brasil fará seu IPO em julho/agosto com perspectivas de movimentar R$ 3,5 bilhões.
  • Além disso, não podemos esquecer que em fins de maio, a XP Investimentos foi comprada pelo Banco Itau por R$ 12 bilhões.

O mês ficou pautado por muitas notícias de empresas que aumentaram volatilidade nas suas ações, entretanto, o comportamento da bolsa brasileira não ficou atrelado às notícias políticas. Apesar disso, a bolsa brasileira tem tido um bom comportamento, pois as empresas estão caminhando para reestruturação via venda ou aquisição, fato que achamos positivo. Com a forte safra agrícola refletindo na queda da inflação, coloca novas perspectivas para a queda na próxima reunião do Copom em 25/07.

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