Palavras do Gestor – Outubro 2017


No último mês a Bovespa não se deixou intimidar pelos arsenais bélicos do mundo. De um lado o norte coreano Kim Jong – um com seus mísseis nucleares ameaçando o Japão, Coréia do Sul e EUA, e do outro lado os mísseis tupiniquins de Rodrigo Janot ameaçando o presidente Michel Temer com suas flechas de bambu.

O Ibovespa fechou o mês de Setembro com uma valorização de 4,88%, aumentando um ganho de 23,35% este ano. Depois de 9,5 anos a pontuação do Ibovespa voltou as máximas históricas rompendo os 74 mil pontos de Maio/2008. No dia 20 de Setembro o índice bateu 76 mil pontos. Não podemos nos esquecer, que estamos falando em termos nominais, ou seja, para o Ibovespa recuperar as máximas em termos reais, ainda falta um bom caminho a percorrer.

Os estrangeiros continuaram a apostar no Brasil, só em setembro, o fluxo liquido foi de R$ 3.8 bilhões na bolsa. Não demorará muito para o Ibovespa atingir os 100.000 pontos e muito provavelmente a B3 irá fazer um ‘split’ do índice de 10/1.

O CDI rendeu 0,64% em Setembro, acumulando 8,05% no ano. Este rendimento tão baixo não se via desde o período de outubro/12 a abril/13, porém nesta época tínhamos juros pressionados artificialmente para baixo e uma inflação represada, situação bem diferente da atual.

Nos últimos anos do Governo anterior, o presidente do Banco Central precisou explicar o descumprimento da meta para o Ministro da Economia. Por ironia do destino, o atual presidente do Banco Central Ilan Goldfajn também será chamado para explicar o descumprimento da meta de inflação para Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda, do Governo Temer. Entretanto, é a 1ª vez na historia desde a criação das metas de inflação em junho de 1999, que a inflação ficara abaixo da meta.

O Copom ainda tem 2 reuniões até o final do ano. Acreditamos em mais 2 cortes, porém menos agressivos que os anteriores. A Selic hoje em 8,25% a.a. deverá terminar o ano em torno de 7,00%, embora algumas instituições estejam apostando em uma Selic inferior a este número.

Na parte política, Rodrigo Janot, ainda tentou mandar flechas ate o fim de seu mandato, porem sem sucesso. Mirou no Presidente Temer e acertou o próprio pé. O que seria um ‘furacão’ a 2ª denúncia contra Temer, virou apenas uma brisa. Ela foi ofuscada pela suspeita de irregularidades no acordo de deleção premiada, negociada com o MPF, os irmãos Batista e o diretor da J&F, Ricardo Saud. Este acordo poderá ser anulado, uma vez que Marcelo Miller, ex braço direito de Janot, atuou diretamente na representação da JBS no acordo de delação, antes de pedir demissão da PGR e ir para o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe.

Depois desta confusão toda, Janot ainda tentou se redimir junto ao atual Governo e a opinião pública, denunciando Lula, Dilma, Palocci, Gleisi, Paulo Bernardo e Mantega, além de senadores do PMDB.

No dia 18 de setembro, Raquel Dodge, tomou posse na PGR, substituindo Rodrigo Janot, que não deixará saudades. Ela terá um árduo trabalho, tanto em relação às denúncias envolvendo Temer, como a homologação do acordo de Palocci, no qual ele incrimina os ex-presidentes, Lula e Dilma, além da cúpula do PT.

Apesar da parte politica, ainda estar fumegante, a economia começa sair da UTI e dar um leve sinal de vida, já o mercado financeiro, esta pronto para um ‘Ironman’. O dólar está estável e deverá continuar assim, os juros caindo e a bolsa firme. Acreditamos em mais altas do Ibovespa ate o fim do ano.

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